Organizações lançam “Coalizão Direitos na Rede” e criticam ataques à Internet

PL Espião vai exigir mais mobilização em 2016

O ano legislativo de 2016 se inicia nesta terça-feira (2), com algumas medidas provisórias e projetos de lei trancando a pauta de votações. Tão logo seja possível retomar as votações ordinárias, as atenções em matéria de tecnologia se voltarão para o risco de o Plenário aprovar o PL 215/2015, conhecido como “PL Espião”.

Embora tenha sido bastante enfraquecido, o texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania em outubro de 2015 mantém uma lista de graves problemas, inclusive fragilizando as garantias previstas no Marco Civil da Internet: Continue lendo PL Espião vai exigir mais mobilização em 2016

TICs no Congresso #18: 22 a 26 de agosto

Terça-Feira, 23/08

Câmara dos Deputados

Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços

A CDEICS realizará um debate setorial para debater a tecnologia da informação e comunicação.
Foram convidados os presidentes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero; e da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, Sérgio Paulo Gallindo.

A CDEICS pode votar ainda projeto de lei que prevê que a Anatel tenha poder para alterar a modalidade de licenciamento de serviço de telecomunicações por uma empresa de concessão para autorização.

Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado

A CSPCCO realizará uma audiência pública para debater o bloqueio de sinal de telefones celulares em presídios.

Foram convidados o diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional, Marco Antonio Severo Silva; o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende; e o presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), Eduardo Levy.

Comissão  de Constituição e Justiça e de Cidadania

A CCJC pode votar projeto que altera o Marco Civil da Internet, dispondo sobre o armazenamento de dados de usuários inativos na rede mundial de computadores. O parecer é do Dep. Marcos Rogério (DEM/RO), pela aprovação.

Senado Federal

Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática

A CCT promove uma audiência pública interativa para debater a aplicação de recursos dos fundos de incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico, em especial o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (FUNTTEL).

Estão entre os participantes o Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDIe o Diretor da Associação Nacional de Pesquisa e de Desenvolvimento das Empresas Inovadoras – ANPEI.

A CMA pode votar projeto que dispõe sobre regras para aumentar segurança em compras pela internet. O parecer é do Sen. Cidinho Santos (PR/MT), pela aprovação.

Decisões judiciais de bloqueio do WhatsApp: subsidiariedade e procedência da ADPF 403

por Thiago Guimarães Moraes e Henrique Bawden
Graduandos em Direito na Universidade de Brasília, integrantes do Laboratório de Pesquisa em Direito Privado e Internet – LAPIN

Esta semana, o Instituto Beta, com a contribuição acadêmica do LAPIN, teve admitido o pedido de ingresso como amicus curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 403, sendo facultada a apresentação de informações, memoriais e sustentação oral para o julgamento definitivo do mérito da ação ajuizada pelo Partido Popular Socialista – PPS.

Evidenciamos em nosso memorial que a ADPF 403 deve ser considerada procedente quanto à lesão ao preceito fundamental da liberdade de comunicação, de modo a impedir que novas decisões judiciais suspendam de forma geral, irrestrita e indeterminada os serviços de comunicação de sites, aplicativos e plataformas digitais em razão do não fornecimento de dados de indivíduos determinados ou fatos específicos.

ADPF ou ADI?

O pedido de ingresso na ADPF, protocolado no dia 22 de julho de 2016 (já considerando a decisão de bloqueio de WhatsApp, proferida 3 dias antes pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Duque de Caxias – RJ) reforçou o argumento de que declarar a inconstitucionalidade do Marco Civil da Internet no Brasil (Lei nº 12.965/2014) não irá evitar outras ordens de bloqueio. Esse posicionamento havia sido apresentado anteriormente pelo IBIDEM e LAPIN no pedido de ingresso como amicus curiae na Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 5.527, em que o Partido da República – PR requer a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 10 e 12 do Marco Civil.

Ao contrário do que tem sido divulgado comumente, apenas a decisão do Juízo de Lagarto (SE) teve amparo no texto do  art. 12 do Marco Civil, dispositivo que não mencionado na recente decisão fluminense. Também as duas primeiras decisões judiciais brasileiras de bloqueio do whatsapp, ambas de 2015, fundamentaram-se em dispositivos do Código de Processo Civil, sem referência aos artigos do Marco Civil impugnados pelo PR na ADI 5527.

Se uma Ação Direta de Inconstitucionalidade não se mostra o instrumento mais adequado para discutir a controvérsia, uma ADPF pode ser mais frutífera, pois tem por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público, conforme prevê o art. 1º da Lei 9.882/99.

Ora, o problema, como já se vem demonstrando, não está na suposta inconstitucionalidade de um dispositivo legal. Tanto o art. 12 do MCI quanto o art. 536, § 1º, do CPC/2015 (antigo art. 461, § 1º, do CPC/1973) são importantes instrumentos para cumprir preceitos constitucionais, tais como o direito à privacidade e à proteção dos dados pessoais (no caso do artigo do MCI) e a supremacia do interesse público (para o dispositivo do CPC).

A questão é que, primeiro, as suspensões do aplicativo WhatsApp estão ocorrendo em ações criminais como forma de sanção à não-colaboração da companhia de serviços de mensagem eletrônica na interceptação de dados. E, segundo, em todos os quatro casos as ordens de bloqueio tem sido rapidamente suspensas, porquanto reconhecidas como desproporcional pelos Tribunais de Justiça,e até, mais recentemente, pela presidência do STF.

Na ADPF 403, o PPS defende que estas decisões tem lesado reiteradamente a liberdade de comunicação, a partir da garantia de liberdade de expressão assegurada pelo art. 5º, IX, da Constituição Federal.

Subsidiariedade da ADPF

Mas ainda que se conceda que se trata da reparação de preceito fundamental violado por ato do Poder Público, é necessário  observar se a ADPF é o remédio necessário, isto é, se ela cumpre o requisito da subsidiariedade, previsto no art. 4º, §1º, da Lei 9.882/99. Conforme este comando legal, apenas cabe ADPF se não houver outro meio eficaz de sanar a lesividade.

Evidencia-se o preenchimento deste requisito, tendo em vista que nem uma ação direta de inconstitucionalidade nem uma ação declaratória de constitucionalidade do Marco Civil da Internet, ou ainda a via recursal nos processos de controle difuso: nada tem se demonstrado apto a fazer cessar com eficácia erga omnes e efeito vinculante a lesividade à liberdade de comunicação provocada pelas reiteradas decisões judiciais de bloqueio e suspensão do whatsapp.

STF admite participação do IBIDEM (e LAPIN) em ação que contesta bloqueio do whatsapp

Em decisão divulgada nesta quinta-feira (18/08), o STF admitiu a atuação do Instituto Beta (em parceria com o Laboratório de Pesquisa Direito Privado e Internet – LAPIN) como amicus curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 403, por meio da qual o Partido Popular Socialista – PPS contesta a constitucionalidade das decisões judiciais de bloqueio do Whatsapp no Brasil.

Ficheiro:Crystal Clear mimetype pdf.png
Clique para baixar a decisão do Min. Fachin

Na decisão, que deve ser publicada no Diário Eletrônico da Justiça ainda hoje (19/08), o Ministro Relator, Edson Fachin, analisou a participação do IBIDEM e do LAPIN nos seguintes termos:

(…)

O Instituto Beta para Democracia e Internet alega possuir representatividade adequada, asseverando atuar para resguardar os preceitos da liberdade de expressão, manifestação do pensamento e livre acesso à internet.

Afirma contar, neste ato, com a contribuição acadêmica e científica do Laboratório de Pesquisa Direito Privado e Internet da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília – LAPIN e sustenta que as “incompreensões em torno das particularidades do regime jurídico de proteção de dados e da privacidade no ciberespaço demandam uma ampla participação dos pesquisadores, desenvolvedores, usuários, agentes estatais, associações civis e grupos de pesquisa como o IBIDEM e o LAPIN para que a controvérsia seja resolvida em patamares democráticos, técnicos e inclusivos.” (eDOC 48, p.7).

(…)

O IBIDEM, entidade com finalidade filantrópica, neste ato representado por advogado regularmente constituído para atuar no feito, possui, dentro seus objetivos principais, a “promoção de bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos que venham a ser afetados em decorrência de livre manifestação do pensamento” (eDOC 50, p.1) no âmbito da internet. Seu estatuto prevê, também, a atuação no estímulo de ações que garantam ou promovam a defesa jurídica e política dos direitos fundamentais, o aprimoramento da legislação relacionada à internet, dentre outros.

Desse modo, constato que a missão do IBIDEM está inserida na seara objeto da presente Arguição e entendo que sua atuação no feito, juntamente com o apoio do Laboratório de Pesquisa Direito Privado e Internet da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, tem a possibilidade de enriquecer o debate e assim auxiliar a Corte na formação de sua convicção.

Diante do exposto:

a) com base no disposto no art. 7º, §2º, da Lei 9.868/1999, aqui aplicável por analogia, e o art. 138, caput, do CPC, admito o Instituto Beta para Democracia e Internet – IBIDEM como amicus curiae, facultando-lhe a apresentação de informações, memoriais escritos nos autos e de sustentação oral por ocasião do julgamento definitivo do mérito da presente ADPF;

(…)
Publique-se. Intime-se.
Brasília, 04 de agosto de 2016.
Ministro EDSON FACHIN
Relator

Vale lembrar que ainda está pendente a admissão do IBIDEM (também em parceria com o LAPIN) como amicus curiae na Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 5.527, em que o Partido da República – PR requer a declaração de inconstitucionalidade dos artigos do Marco Civil da Internet no Brasil (Lei nº 12.965/2014) nos quais as decisões de bloqueio supostamente estariam fundamentadas. Na ADI 5527, o IBIDEM e o LAPIN pretendem demonstrar que, a despeito da boa intenção de impedir novas suspensões do mensageiro instantâneo, essa seria um a solução prejudicial para as garantias legais instituídas pelo Marco Civil.

TICs no Congresso #17: 15 a 19 de agosto

Terça-Feira, 16/08

Câmara dos Deputados

Comissão  de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência

A CPD realizará uma audiência pública para debater a inclusão e o acesso de pessoas com deficiência na Internet.
Foram convidados o representante da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Paulo Sérgio Sgobbi; o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação Victor Pellegrini Mammana; e o diretor do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer.

13º Seminário LGBT do Congresso Nacional

As comissões de Direitos Humanos e Minorias; de Legislação Participativa; de Educação; e de Cultura promovem o “XIII Seminário LGBT do Congresso Nacional: O próximo pode ser você!”, nas próximas terça-feira (16) e quarta-feira (17).

No dia 17, haverá uma mesa para discutir “pornografia de vingança, difamação, bullying e discursos/crimes de ódio”.

Senado Federal

 Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática

A CCT realizará uma audiência pública interativa destinada a debater a importância da conectividade para o acesso ao conhecimento e seu impacto na saúde, educação e desenvolvimento econômico.

Entre os participantes, representantes dos ministérios da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) e da World Information Technology and Services Alliance – WITSA.

 

TICs no Congresso #16: 08 a 12 de agosto

Segunda-Feira, 08/08

Câmara dos Deputados

Comissão  de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado

A CSPCCO pode votar projeto que autoriza o uso dos recursos do Fistel por órgãos da polícia judiciária. O parecer é do dep. Alexandre Baldy (PTN/GO), pela aprovação.

Terça-Feira, 09/08

Câmara dos Deputados

Comissão  de Constituição e Justiça e de Cidadania

A CCJC pode votar projeto que altera o Marco Civil da Internet, dispondo sobre o armanezamento de dados de usuários inativos na rede mundial de computadores. O parecer é do Dep. Marcos Rogério (DEM/RO), pela aprovação.

Comissão de Defesa do Consumidor

A CDC pode votar projeto que obriga a remoção de links dos mecanismos de busca da internet que façam referência a dados irrelevantes ou defasados. O parecer é do Dep. José Carlos Araújo (PR/BA), pela rejeição.

Declaração da “Coalizão Direitos na Rede”

ADI 5527 e bloqueio do Whatsapp: interpretação constitucional ou infraconstitucional?

por Thiago Guimarães Moraes
Graduando em Direito na Universidade de Brasília, integrante do Laboratório de Pesquisa em Direito Privado e Internet – LAPIN

No primeiro semestre deste ano, os cidadãos brasileiros presenciaram episódio polêmico em que o juízo da Vara Criminal da Comarca de Lagarto, em Sergipe, ordenou o bloqueio do serviço de mensagens instantâneas WhatsApp por descumprimento da companhia às ordens judiciais de processo criminal nº 201555000783, contendo pedido de quebra de sigilo de dados. Em suma, ordenou-se que o aplicativo desabilitasse o serviço de criptografia fim-a-fim, de forma a permitir a interceptação da comunicação de dados, ordem a qual a empresa recusou-se a cumprir. A decisão teve como fundamento a aplicação de regras previstas na Lei 12.965/2014, também conhecida como o Marco Civil da Internet – MCI e a ordem judicial só foi suspensa após ter sido impetrado mandado de segurança contra o douto juízo.

Com o intuito de evitar que casos similares voltassem a ocorrer, o Partido da República – PR, ajuizou, duas semanas após o ocorrido, a Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 5.527, solicitando, “a declaração de inconstitucionalidade dos incisos III e IV do art. 12 da Lei n. 12.965/14, bem como a interpretação conforme do art. 10, § 2º[1], a fim de que seja limitado o seu alcance aos casos de persecução criminal”. Continue lendo ADI 5527 e bloqueio do Whatsapp: interpretação constitucional ou infraconstitucional?

Câmara: participação do Instituto Beta no Seminário PL 5276/2016

Câmara: novo seminário sobre proteção de dados pessoais

Direito, Política & TICs

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