Nesta quarta-feira (10), ocorreu uma grande mobilização virtual chamada Desaceleração da Internet (“Internet Slowdown”), na tentativa de chamar a atenção das autoridades dos Estados Unidos e dos usuários da Internet em todo o mundo para a importância da neutralidade de rede. Trata-se de uma reação à proposta da Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) de criar “vias expressas” na Internet, por meio de acordos entre provedores de conexão e páginas virtuais.

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Dando sequência à mobilização Big Telecom vs The World, o protesto de ontem foi encampado por várias empresas e organizações (Etsy, Kickstarter, Netflix, Tumblr, Vimeo, Foursquare, WordPress, Reddit, Dropbox, Democracy for América, Open Media, Mozilla, Electronic Frontier Foundation, Greenpeace, entre outros), cujos sites mostravam um ícone de “carregando” para simbolizar uma demora infindável no acesso a suas páginas. O objetivo era chamar a atenção dos visitantes para o que pode ocorrer caso não seja garantida uma neutralidade de rede forte, e pedir-lhes que entrassem em contato com os legisladores dos EUA.

Assim, em vez de tratar do tema sob a perspectiva das “vias expressas”, optou-se por enfatizar o outro lado da moeda, as “vias lentas”. Enquanto a proposta da FCC permite que provedores deem tratamento especial para seus parceiros de negócios ou para páginas que paguem a mais, todo o resto que não tem condições de pagar ou de fazer acordos se veria prejudicada, impossibilitada de concorrer de forma justa.

A convocação foi organizada pelas entidades Freepress Action Fund, Fight For The Future, Demand Progress e Engine, que uniram forças no endereço BattleForThe.Net. Além dos sites mais famosos, qualquer pessoa poderia participar da mobilização colocando o ícone em sua página. Outras formas de se integrar eram compartilhamentos de imagens e postagens nas redes sociais e o envio de notificações por meio de aplicativos móveis. No Brasil, o blog Movimento MEGA aderiu.

Segundo Jeff John Roberts, do portal Gigaom, a mobilização pode sofrer com ausência de alguns gigantes da Internet — notadamente Google, Facebook e Wikipedia. Ele cita como exemplo o fato de que esses grandes atores participaram de protesto similar em janeiro de 2012, contra o projeto de lei antipirataria SOPA. Na ocasião, as vozes da Internet foram ouvidas pelas autoridades em Washington e o SOPA caiu pouco tempo depois. Roberts afirma que essas ausências podem enfraquecer o movimento desta vez.

Suas ausências podem privar os opositores das vias expressas de atenção, momento e verba que provavelmente serão necessários para a FCC mudar de curso.

Mais otimista, um infográfico no site Battle For the Net faz uma avaliação positiva da manifestação desse 10 de setembro de 2014, destacando os seguintes números:

  • Mais de 2 milhões de pessoas e 10 mil sites participaram
  • Mais 303 mil ligações foram feitas e mais de 2 milhões de e-mails foram enviados para o Congresso dos EUA
  • Mais de 722 mil comentários foram encaminhados para a consulta pública da FCC (totalizando 4,7 milhões de comentários desde março)
  • Mais de 1,1 milhão de compartilhamentos no Facebook
  • Noticiado em jornais como Wall Street Journal e a BBC
  • Comentado por congressistas dos EUA

Um comentário em “A Desaceleração da Internet: mobilização internacional em favor da neutralidade de rede

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