O grupo de pesquisa latino americano Diálogo Regional sobre a Sociedade da Informação – DIRSI publicou neste mês de setembro o estudo “Internet e Pobreza: abrindo a caixa preta” (The internet and poverty: opening the black box). A obra investiga os impactos sociais e econômicos do acesso à Internet em conexões de banda larga.

Estudo "The Internet and Poverty: Opening the Black Box", do DIRSI
Estudo “The Internet and Poverty: Opening the Black Box”, do DIRSI

A conclusão geral do estudo, realizado no Brasil, Chile, Colômbia, EquadorMéxico e Peru, aponta efeitos muito mais suaves do que se esperava: em alguns aspectos, os números apontam impactos até cinco vezes menores do que as sugeriam as previsões mais otimistas. Ao final, afirma-se com propriedade que

“(…) se a tecnologia por si só não irá produzir resultados significativos, ainda há muito a ser conhecido sobre que tipos de programas de capacitação trabalhar e por quê.

Caso contrário, os legisladores e os profissionais vão continuar a navegar no escuro na concepção e implementação de iniciativas de conectividade de banda larga.”

A oferta de banda larga foi observada em aspectos distintos para o desenvolvimento social e econômico em cada lugar:

  • Equador: aumento de até 7,5% na renda de trabalhadores;
  • Colômbia: 10% do aumento do uso da banda larga se associou a um crescimento de 4% no número de empresas, mas a arrecadação fiscal subiu só 0,4%.
  • México: em efeito “cascata”, crianças em idade escolar incentivam o contato com a banda larga entre as pessoas com quem moram;
  • Brasil, Chile e Peru: diminuição na evasão escolar, mas sem melhores notas (as alterações notadas foram para pior), conjunta com a falta de treinamento adequado para professores, que por sua vez facilita uso da web para fins não educacionais, sendo que estudantes de baixa renda tendem a aproveitar mais o contato com a banda larga em programas escolares.

Especificamente sobre a realidade brasileira, em que o Estado investiu 3.2 bilhões de dólares em banda larga e tecnologias afins, destacam-se ainda as seguintes conclusões:

  • Impactos de primeira ordem: além de aumentar a possibilidade de acesso à banda larga para alunos e professores de escolas públicas urbanas, incentivou o uso de novas formas e técnicas de ensino, tais como a discussão de notícias recentíssimas nas salas de aula e abordagens lúdicas no ensino de gramática e matemática no 5º ano;
  • Impactos de segunda ordem: no 5º ano, pequena vantagem de 12% e 15% no desempenho na Prova Brasil em comparação com alunos não conectados, embora possa-se atribui o impacto mais às novas formas de ensino que ao mero acesso à banda larga;
  • Impactos não mensuráveis: se mostraram mais suscetíveis os alunos conectados do 9º (taxa de evasão reduzida em 8% e a de reprovação, 5%) e do 5º ano (diminuiu problemas disciplinares durante as aulas, criando ambiente mais saudável e propício ao ensino e aprendizagem).

Um comentário em “Banda Larga e desenvolvimento: estudo mede impactos sociais e econômicos na América Latina

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