China: governo censura redes sociais para conter protestos em Hong Kong

Neste domingo (28), em Hong Kong, após cinco dias de confrontos entre residentes e forças policiais, correspondentes do New York Times relataram o bloqueio do instagram e de outras redes sociais no território chinês continental. Segundo os jornalistas, os serviços governamentais de censura cortaram o acesso ao instagram para evitar que as fotos dos embates se espalhassem pelo território chinês. O slogan “Occupy Central”, nome dado genericamente às mobilizações pró-democracia que começaram em Hong Kong na quarta-feira passada (24), também foi banido de websites e da ferramenta de busca da popular rede de microblogging chinesa Sina Weibo, segundo afirma o escritório da BBC em Beijing.

Promessa de autonomia

Os protestos tiveram início no dia 24, quando entidades estudantis organizaram uma marcha pacífica contra o plano proposto pelo Governo Central Chinês para as eleições de Hong Kong em 2017. Quando foi transferida para o controle chinês em 1997, a então possessão britânica foi recebida com a promessa de manutenção de seu sistema democrático e que a partir de 2017 seus governantes seriam escolhidos por sufrágio universal. Atualmente, o chefe do executivo do território é escolhido por uma junta pró-Beijing. Em 2007, o Governo Central já havia reiterado seu compromisso com a autonomia de Hong Kong, um arranjo conhecido pelo slogan “Um país, dois sistemas“. Entretanto, desde julho deste ano, comunicados oficiais têm sugerido a relutância de Beijing em cumprir o acordo. As tensões na região têm escalado desde então e culminaram na onda atual de protestos após a divulgação oficial dos planos para o pleito de 2017. Nos planos, estão previstas eleições gerais livres, mas a disputa ficará restrita aos candidatos aprovados por um comitê eleitoral sob controle chinês, muito próximo da junta eleitoral que funciona hoje.

Indignados com o que entendem como um abuso autoritário do governo central e uma quebra dos pactos realizados entre Beijing e o território, residentes de Hong Kong se preparavam para dar início aos protestos em 1º de outubro, aniversário da revolução comunista na China. No entanto, a escalada das manifestações estudantis levou à antecipação da campanha pró-democracia. Na sexta-feira (26), manifestantes ocuparam a praça central em frente à sede do governo regional. Em resposta, as forças policiais se lançaram contra a demonstração de forma violenta, fazendo uso de bombas de efeito moral, sprays de pimenta e munições de borracha. A desproporção da resposta policial levou ainda mais residentes às ruas, conforme reportou o New York Times.

Censura institucional

A filtragem nas redes sociais e nos meios de comunicação tradicionais é uma tática já utilizada pelo governo chinês para inibir a disseminação de informações sobre movimentos de contestação. Em outros conflitos internos, como a questão tibetana ou a etnia Uigur, o bloqueio completo ao acesso da internet é frequentemente relatado.

Os sites Blocked in China e GreatFire informam que, até o momento da edição desta matéria, os serviços do instagram na China continental permanecem bloqueados.

Fontes

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