Nesta terça-feira (5), o portal The Intercept divulgou um documento inédito que dá novas dimensões aos programas de espionagem mantidos pelo governo dos EUA. O documento, intitulado “Realizações estratégicas da Diretoria de Identidades Terroristas em 2013”, aponta que a Terrorist Screening Database — uma lista de indivíduos considerados suspeitos de terrorismo compartilhada pelo governo estadunidense com forças de segurança locais, prestadores de serviços na área de defesa e inteligência e governos estrangeiros — conta com cerca de 680 mil nomes, dos quais aproximadamente 280 mil (pouco mais de mais de 40% da lista) pertencem a pessoas sem filiação com qualquer organização terrorista.

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Quem está na lista de vigilância? 280 mil pessoas monitoradas não tiveram reconhecida nenhuma ligação com grupos terroristas

O documento, preparado pelo Centro Nacional de Contra-terrorismo, mostra ainda a expansão do número de pessoas incluídas na “no fly list“, uma lista de pessoas proibidas de embarcar em aviões partindo ou chegando aos Estados Unidos. Durante o mandato de Barack Obama, o número de indivíduos incluídos na lista — que é mantida pelo Centro de Triagem de Terroristas, subdivisão do FBI encarregada de investigar e identificar suspeitos e potenciais terroristas -—aumentou mais de 10 vezes, atingindo um total de 47 mil nomes.

A maioria dos nomes incluídos nas listas de suspeitos do governo provêm do sistema conhecido como TIDE (Terrorist Identities Datamart Enviroment), uma rede que serve de repositório para os dados colhidos por diversas agências de segurança. O TIDE permite a inclusão de indivíduos nos bancos de dados a partir de critérios muito mais amplos do que os padrões aplicados por outros repositórios e é compartilhado entre uma série de instituições, inclusive corpos policiais locais, como o Departamento de Polícia da cidade de Nova York.

Além do conteúdo, a notícia chama atenção por suas fontes. O documento divulgado pelo The Intercept apresenta dados de agosto de 2013, meses depois de Edward Snowden vir a público e buscar refúgio fora dos Estados unidos. O Intercept, publicação criada, entre outros, por Glenn Greenwald com o objetivo imediato de publicizar os documentos da NSA vazados por Snowden, limitou-se a dizer que o documento havia sido disponibilizado por “uma fonte na comunidade de inteligência”. Existe, portanto a possibilidade de que outro funcionário da inteligência americana esteja vazando documentos sigilosos para a mídia.

Fontes:

Um comentário em “EUA: 40% das pessoas vigiadas não têm ligação com terrorismo

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