Fundadora do site Trannyshack, a drag queen Heklina, teve seu perfil de Facebook apagado. Assim como outras drag queens, Heklina havia sido notificada para que alterasse seu nome de perfil para aquele registrado em seus documentos. Tentando cumprir a determinação do Facebook, ela agregou ao seu perfil seu sobrenome, Grygelko. A mudança, no entanto, foi considerada insuficiente pela rede social, que apagou por completo o perfil de Heklina. Em entrevista, ela declarou ao Techcrunch que usa este nome há mais de 20 anos e é publicamente reconhecida por ele.

Heklina é conhecida entre a comunidade LGBT de São Francisco, Califórnia, pela atuação política em questões de identidade. Nas últimas semanas, vinha chamando atenção para as restrições à declaração do nome em perfis pessoais e seu impacto entre as drag queens. Ela afirma que a exclusão de seu perfil da rede ocorreu logo após o anúncio de um protesto contra a postura estrita do Facebook.

Em resposta, um porta voz da rede social se limitou a afirmar que é um procedimento padrão do Facebook pedir aos usuários que utilizem seus nomes verdadeiros. O uso do nome é regulado pela Política de Nomes Reais, que define o Facebook como uma “comunidade na qual as pessoas se comunicam usando suas identidades reais” e determina que o nome apresentado no perfil deve ser o mesmo registrado em documentos oficiais.

Scott Wiener, Advogado e militante LGBT
Scott Wiener, Advogado e militante LGBT

Scott Wiener, advogado defensor de direitos de comunidades LGBT, e membro do Conselho de  Supervisores do Distrito 8 de São Francisco,  que abrange os bairros Castro e Upper Market autoproclamados a capital gay do mundo, abordou a questão em um post aberto no Facebook:

Impedir drag queens de usar os nomes que realmente definem quem são também coloca pessoas na posição insustentável de ter que escolher entre dizer ao mundo que são drag queens ou abandonar o Facebook para suas personas drag. Enquanto muitas drag queens estão “abertas” sobre quem são, nem todas as drag queens tem esse luxo. Abundância de discriminação, ódio e violência contra a comunidade LGBT ainda existe em muitas partes do mundo, e várias pessoas têm personas drag que sentem a necessidade de se manter separadas do resto de suas vidas. As pessoas que revelam a sua identidade não drag – e que, por outro lado, anunciam ao mundo que são drag queens – devem fazê-lo porque querem, não porque o Facebook as está forçando a fazê-lo, como condição para continuar usando seus perfis.

A posição do Facebook tem sido a de afirmar sua política de nomes reais e sugerir às pessoas que queiram usar nomes diferentes daqueles registrados oficialmente que acrescentem um apelido ao lado de seus nomes reais ou criem páginas para suas personas.

Fontes:

Um comentário em “EUA: Facebook deleta perfis de drag queens

Deixe uma resposta