O Escritório Federal de Investigação (Federal Bureau of Investigation, mundialmente famoso por sua sigla, FBI) dos Estados Unidos anunciou hoje a conclusão de um novo sistema de identificação biométrica, chamado Sistema de Identificação da Próxima Geração (Next Generation Identification, ou NGI), que passa a ser plenamente funcional após três anos de desenvolvimento. Uma das principais novidades é um controverso sistema de reconhecimento facial, o Sistema Interestadual de Fotos (Interstate Photo System, ou IPS).

O serviço de reconhecimento facial IPS irá fornecer à comunidade de segurança pública da nação uma ferramenta investigativa que provê uma capacidade de busca de imagens de fotografias associadas com identidades criminosas. Esse esforço é um significativo passo adiante para a comunidade da justiça criminal utilizar a biometria como um facilitador investigativo. – Trecho do comunicado do FBI

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O IPS tem sido alvo de críticas já há alguns meses, quando começou a ser testado. Segundo matéria do portal The Verge publicada em julho deste ano, a tecnologia utilizada pelo FBI é bastante ineficiente se comparada, por exemplo, ao sistema DeepFace, utilizado pelo Facebook para reconhecimento facial. Enquanto a rede  social consegue uma acurácia de cerca de 97% na comparação entre duas imagens, o IPS promete 85% de chance de o nome do suspeito “identificado” aparecer em uma lista de 50 pessoas. Na mesma matéria, há uma interessante análise sobre as dificuldades da biometria, feita por Shahar Belkin, da FST Biometrics, que produz sistemas de reconhecimento facial para moradores de condomínios fechados, pessoas que não têm problema nenhum em posarem diretamente para a câmera que as avaliará, diferente dos criminosos que o FBI pretende reconhecer.
Uma das preocupações de Belkin é a alta taxa de falsos positivos que pode surgir desse modelo. A mesma preocupação foi apresentada pela Electronic Frontier Foundation (EFF) ainda em abril deste ano.

Um sistema que tem como propósito apenas fornecer o verdadeiro candidato em uma lista dos principais 50 candidatos 85% das vezes vai retornar muitas imagens das pessoas erradas. Sabemos por meio de pesquisas que o risco de falsos positivos aumenta ao passo que a amostra de dados aumenta — e, com 52 milhões de imagens, o sistema de reconhecimento facial do FBI é uma enorme amostra. – Jennifer Lynch, consultora jurídica da EFF

Outra preocupação expressa pela EFF diz respeito aos tipos de dados que serão inseridos no sistema. Por exemplo, há a previsão de, até 2015, serem incluídas 4,3 milhões de imagens feitas com propósitos não criminais, como candidaturas para empregos. Além disso, quase um milhão de fotografias virão de bases que não foram explicadas, podendo incluir mais fontes não criminais. Combinando esse problema com a questão dos falsos positivos, é bastante verossímil que indivíduos sejam identificados e abordados por agências de segurança por crimes que não cometeram.
Por fim, também levanta preocupações a eficiência do Facebook nesse tipo de empreitada. Embora não haja, ainda, a previsão de o FBI se valer da empresa e de sua base de cerca de 250 bilhões de imagens, não se pode afastar a possibilidade de o governo obrigar judicialmente o Facebook a cooperar com a agência de investigação. Situação muito semelhante ocorreu nos anos de 2007 e 2008, no programa PRISM. Atualmente, há uma batalha judicial entre o Facebook e o procurador de Manhattan para definir os limites legais da utilização de dados coletados e requeridos junto à empresa por instituições de persecução criminal.

FONTES:

The FBI just finished building its facial recognition system | The Verge

The FBI Just Finished Its Insane New Facial Recognition System | Gizmodo

FBI rolls out new facial recognition program | Al Jazeera

Um comentário em “EUA: FBI conclui sistema de identificação biométrica

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