Mulheres, negros e outras minorias têm pouco espaço nas empresas de tecnologia

Relatórios publicados pela Apple e pelo Twitter reafirmaram a prevalência de homens brancos nas maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos da América. E a expressiva ausência de mulheres e outras minorias é uma tendência já conhecida entre os empregados de Google, Facebook e outras grandes empresas do Vale do Silício em todo mundo.

Percentual de homens em posições de chefia nas principais empresas de tecnologia

Ano passado, um relatório lançado pelo GMI Rastings havia revelado que 49% das empresas de tecnologia de comunicação e informação não têm mulheres em seus conselhos, bem acima dos 36% nas 2770 maiores empresas de capital aberto dos EUA.

E o predomínio de jovens homens brancos e asiáticos tanto em startups quanto nas gigantes corporativas voltou à evidência em maio, quando o Google publicou seu primeiro relatório de diversidade, revelando que 70% de sua força de trabalho em todo o mundo é do sexo masculino (nos EUA, 61% são brancos e 30% asiáticos, com 3% latinos e 2% negros). Esse quadro motivou o aporte de 50 milhões de dólares em projetos de incentivo e treinamento de programadoras mulheres, além da criação de uma iniciativa própria, chamada Made With Code, que tem na mira a informação de que apenas 1% das meninas do segundo grau demonstram interesse em se formar em ciência da computação.

FacebookLinkedIn e Yahoo! depois revelaram disparidades semelhantes. No mundo, a empresa de Mark Zuckerberg tem 69% de funcionários do sexo masculino contra 31% feminino, sendo que especificamente nos setores de tecnologia o hiato de gênero sobe – 85% homens e 15% mulheres. Nos EUA, a equipe do FB é de 63% brancos, 24% asiáticos, 6% de latinos e 2% de negros.

No fim de julho, foi a vez do relatório de diversidade do Twitter: 70% de homens e 60% de pessoas brancas, praticamente os mesmos números revelados pela Apple, para desgosto do CEO Tim Cook.

Percentual de brancos entre empregados de tecnologia das grandes empresas
Percentual de brancos entre empregados de tecnologia das grandes empresas

 

Machismo

Em entrevista nesta terça-feira, Sheryl Sandberg, COO do Facebook analisou os dados e fez questão de assumir uma posição dura sobre a realidade:

Houve um grande barulho quando as mulheres ganharam 20% das cadeiras do Senado. Todos os artigos não paravam de dizer: Mulheres dominam o Senado, as mulheres dominam o Senado. Isso foi na última eleição. 50% por cento da população com 20% dos assentos não é uma melhora. É um problema. A nossa expectativa deve ser de 50%.

Eu também quero deixar claro que não estamos no caminho para chegar lá. Em tecnologia, se as mulheres são 18% dos graduados, não estamos chegando a 50% dos postos de trabalho. Temos que mudar isso.

Os problemas da pouca diversidade nesse ambiente de machos alfa misóginos são visíveis. No dia 30 de junho, Whitney Wolfe, ex-vice-presidente de marketing do Tinder, ajuizou uma ação de assédio sexual contra a empresa, alegando ter sido expulsa em meio a uma enxurrada de comentários sexistas e racistas, incluindo ser chamada de “vadia” pelo diretor de marketing Justin Mateen e ter sua reclamação ignorada pelo CEO Sean Rad.

Em maio, nove mulheres já haviam publicado um manifesto se queixando de serem perseguidas, desprezadas e apalpadas:

“O que mais queremos é que as pessoas leiam e entendam a sensação de uma morte por mil cortes, e então entendam por quê nos sentimos tristes e zangadas com o setor de tecnologia. Também queremos que você entenda que mais ainda precisa ser feito”.

Muitas das gigantes hoje apoiam mudança internas ou apoiam programas autônomis como o Girls Who Code, uma plataforma dedicada a ensinar habildiades de computador a garotas.

Gerontofobia

Os dados apontam ainda – além do predomínio dos jovens – uma aversão ao envelhecimento. Uma pesquisa da PayScale constatou que das 32 empresas líderes de tecnologia nos EUA apenas seis tinham média de idade acima de 35. Segundo o dermatologista Seth Matarasso, de São Francisco, os executivos e investidores de 30, 40 e 50 têm pavor de assumir um ar “paternal” e – depois de malhar, fazer dieta e mudar o guarda-roupa – procuram o Botox.

Fontes:

Uma ideia sobre “Mulheres, negros e outras minorias têm pouco espaço nas empresas de tecnologia”

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