O Centro de Pesquisas Pew publicou nesta segunda-feira (14) os resultados de pesquisa de opinião sobre a política de vigilância eletrônica em massa encampada pelos Estados Unidos da América. Esse trabalho faz parte do Projeto Opiniões Globais:

A pesquisa de opiniões globais de 2014 do Centro de Pesquisas Pew perguntou a 48.643 respondentes em 44 países o que eles pensam sobre o fato de o governo estadunidense monitorar comunicações, tais como correios eletrônicos e chamadas telefônicas, nos EUA e em outros países. Especificamente, o público global foi perguntado sobre se é aceitável ou inaceitávei o suposto monitoramento, por parte do governo dos EUA, de comunicações de indivíduos suspeitos de atividades terroristas, cidadãos estadunidenses, cidadãos dos países pesquisados ou seus líderes.

Na média global, a maioria dos entrevistados se opôs à espionagem de cidadãos (81% contrários) e líderes (73% contrários) de países estrangeiros por parte dos EUA. Dentre os estadunidenses, contudo, há uma tendência a aceitar a prática de monitoramento das comunicações de líderes de outros países; a opinião nos EUA é dividida quanto à vigilância de pessoas comuns de outros países, embora não se aceite a espionagem de cidadãos estadunidenses. As opiniões convergem quanto à possibilidade de vigiar indivíduos suspeitos de terrorismo.

Além disso, o estudo aponta uma tendência global de diminuição na crença de que os EUA protegem e respeitam as liberdades individuais. Embora os dados ainda sejam majoritariamente favoráveis ao país (56% dos entrevistados), a comparação entre 2013 e 2014 é desfavorável. Dos 36 países pesquisados nesses dois anos, 22 apresentam queda desse percentual, e em 6 deles a queda foi igual ou superior a 20%.

O Pew pesquisou opiniões sobre o monitoramento pelos EUA de emails, telefonemas e outras comunicações: no Brasil, a resposta "inaceitável" foi de 94% para cidadãos nacionais, 84% para cidadãos dos EUA, 83% para líderes do governo brasileiro e 31% para suspeitos de terrorismo.
O Pew pesquisou opiniões sobre o monitoramento pelos EUA de emails, telefonemas e outras comunicações: no Brasil, a resposta “inaceitável” foi de 94% para cidadãos nacionais, 84% para cidadãos dos EUA, 83% para líderes do governo brasileiro e 31% para suspeitos de terrorismo.

É o caso do Brasil, onde foram entrevistadas mil pessoas maiores de 18 anos, de diferentes regioões. No ano de 2013, 76% dos brasileiros acreditavam que os EUA respeitavam liberdades individuais. Já em 2014, esse número caiu 25 pontos percentuais, ficando em 51%. Da mesma forma, caiu a confiança com relação à condução de Barack Obama às questões globais. Nesse quesito, o Brasil apresentou a maior queda percentual — em 2013, 69% tinham confiança; em 2014, apenas 52%.

Queda similar aparece entre os cidadãos da Alemanha. Lá a confiança no presidente dos EUA caiu de 88% em 2013 para 71% em 2014. Por sua vez, a crença da população alemã de que os EUA protegem liberdades individuais caiu de 81% para 58% no mesmo período — equivalente a 23%, inferior somente às quedas em El Salvador (29%) e, como já indicado, no Brasil (23%).

A combinação dos dados de Brasil e Alemanha levou o próprio Centro de Pesquisas Pew a especular quanto desse resultado se deve a um possível impacto das revelações de Edward Snowden sobre a política de espionagem da NSA. Isso porque houve denúncias de que o governo dos EUA teria monitorado comunicações das líderes políticas dessas duas nações, a presidenta Dilma Rousseff e a chanceler Angela Merkel.

Fontes:

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