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Pesquisadora do IBIDEM premiada em concurso com artigo sobre o CGI.br

Nesta terça-feira (8), temos o orgulho de parabenizar nossa colega de IBIDEM, Kimberly Anastácio, pela premiação conquistada pelo seu artigo “A abordagem do Brasil ao Multissetorialismo: a participação multissetorial no Comitê Gestor da Internet no Brasil” (Brazil’s Approach to Multistakeholderism: Multi-participation in the Brazilian Internet Steering Committee ) no “Concurso de Estudantes para Redação de Estudo de Caso: Grupos Inovadores de Governança Multissetorial” (Student Case Study Writing Competition on Innovative Multistakeholder Governance Groups), organizado pelo centro interdisciplinar de pesquisas Berkman Center For Internet & Society, da Universidade de Harvard.

O Berkman Center convidou estudantes pós-secundaristas a examinar e apresentar um estudo de caso sobre um grupo de governança inovador e globalmente diversificado. Os objetivos eram desafiar o pensamento convencional e aprofundar a compreensão sobre a formação, operação e fatores críticos de sucesso dos grupos de governança abertos à participação. Para tanto, os textos deveriam permitir entender melhor como esses grupos, compostos por  representantes de vários interesses, operam para produzir resultados atingem seus objetivos da melhor maneira.

Kimberly Anastácio, que é mestranda em Ciência Política na Universidade de Brasília e investiga sobretudo a participação social nas interações entre Estado e Sociedade, alcançou a terceira colocação com seu artigo sobre a experiência de governança participativa vivenciada pelo CGI.br.

A Ciência Política brasileira é famosa por seus estudos na área de participação social. O Orçamento Participativo e os Conselhos de Saúde, por exemplo, são bastante famosos e estudados.

Já eu sempre me interessei por assuntos da Internet. Por isso, comecei a achar muito estranho que houvesse no país um órgão de governança participativa tão grande e internacionalmente reconhecido como CGI, sem que alguém de dentro da academia apontasse para a sua importância no contexto maior de participação política.

Então apresentar o CGI foi uma forma de unir meu interesse por temas da Internet com meus estudos na Universidade sobre participação, dando luz ao campo da governança da Internet na minha área de formação.

O primeiro lugar foi para Ana Pop Stefanija e Rishabh Dara com o artigo “Governança Multissetorial na Gestão do Espectro: O Caso da Autoridade Regulatória de Telecom da Índia” (Multistakeholder Governance in Spectrum Management: The Case of Telecom Regulatory Authority of India), que revisou o desenvolvimento de recomendações políticas a serem consideradas pelo governo; e o segundo lugar ficou com Madhulika Srikumar, pelo estudo “O Modelo do Conselho Consultivo: quando a sociedade civil foi ouvida na formulação de políticas na Índia” (The National Advisory Council Model: When the Civil Society was Heard in Policymaking in India ), que explorou os sucessos, fracassos e as implicações do órgão participativo de assessoramento ao primeiro-ministro da Índia. Ainda, foi concedida uma menção honrosa a Esha Sen Madhavan, pelo artigo “Revisitando a elaboração da Lei Direito à Informação da Índia” (Revisiting the making of India’s Right to Information Act ).

Normalmente, os estudos acadêmicos relacionados à Internet têm mais destaque quando são relacionados a aspectos mais específicos das tecnologias de comunicação e informação. Contra esse senso comum, o prêmio pode ser visto até mesmo como um estímulo para abordagens interdisciplinares, que permitam reflexões críticas embasadas sobre a Internet a partir de outras áreas do conhecimento, tal como a política:

Esse prêmio serve para incentivar minha atuação e ativismo dentro da governança da Internet. Ele mostra que é possível contribuir com os debates, mesmo não sendo de uma área técnica.

A Internet tem tudo para realmente ser um espaço democratizante, que recebe bem contribuições não só de pessoas envolvidas com o desenvolvimento da tecnologia em si, mas também daquelas que, como eu, contribuem segundo seus conhecimentos gerais.

Isso me empolga muito. Espero agora que mais pessoas interessadas na participação política percebam o quanto ainda há para ser estudado sobre a governança da Internet e passem a contribuir comigo.

Ao anunciar o resultado, o Berkman Center informou ter planos de incorporar os artigos vencedores em um futuro relatório sobre a governança multissetorial, além de declarar ter expectativa de novas colaborações.

Nós do IBIDEM demonstramos nosso orgulho em mais uma vez podermos aplaudir o reconhecimento de toda a competência da nossa colega Kimberly.

Berkman Center: agências de segurança não estão no escuro

Na última segunda-feira (1), o Berkman Center for Internet and Society divulgou um estudo sobre a famosa tensão entre segurança nacional e privacidade no âmbito das comunicações.

Intitulado Don’t Panic: making progress on the “Going Dark” Debate (em tradução livre: Não entre em pânico: progredindo no debate sobre “ficar no escuro”), o relatório do Berkman Center analisa uma controvérsia que se esquentou ano passado. Google, Apple e outras grandes empresas de comunicação tomaram a decisão de  ampliar as possibilidades de criptografia em aplicações e de adotar padrões criptografados em dispositivos móveis. Em reação, a comunidade de segurança e inteligência dos EUA disse que essa tendência faria com que suas capacidades de interceptação “ficassem no escuro”.
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Copyright X: inscrições abertas!

Até 15 de dezembro estão abertas as inscrições para o Copyright X, um curso da Faculdade de Direito de Harvard, sobre direito autoral, oferecido gratuitamente e ministrado pelo professor William Fisher. Com duração de 12 semanas, o curso é realizado via plataforma online.

A proposta foi elaborada pelo Berkman Center for Internet and Society e é oferecida em parceria com a plataforma de ensino à distância HarvardX, com o objetivo de explorar a legislação vigente sobre direitos autorais e suas implicações no mundo, especialmente nas artes, entretenimento e indústria, além dos debates sobre como a lei deveria ser alterada.

Logo Copyright X

O ecossistema do Copyright X se constitui de três frentes:

  • um curso residencial sobre Direito Autoral, minsitrado pelo Prof. Fisher para cerca de 100 estudantes da Faculdade da Direito de Harvard;
  • um curso online dividido em seções de 25 estudantes, cada seção conduzida por um Professor Bolsista de Harvard;
  • um grupo de cursos parceiros baseados em outros países que não os EUA, cada um conduzido por um especialista em direito autoral.

No Brasil, a Faculdade de Direito da UERJ e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro adaptaram o roteiro de aulas para o contexto do país, sob a condução de Ronaldo Lemos, Sérgio Branco e Carlos Affonso Pereira. A inscrição para uma das 30 vagas do curso brasileiro, gratuito e online, pode ser feita até 3 de dezembro por quem tem mais de 16 anos, e o resultado sai em 16 de dezembro.

Já para quem quiser participar diretamente das seções online conduzidas por Harvard, o CopyrightX 2015 recebe inscrições até 15 de dezembro de 2014. A idade mínima é mais baixa, 13 anos, mas nesse caso é necessário ter um bom conhecimento do inglês. E também não pode estar inscrito em um curso parceiro.

Em qualquer caso, não se exige nenhum conhecimento prévio de direito. As atividades vão de 26 Janeiro a 25 de abril. Ao final do curso – composto por seminários, leituras, interações via fórum e discussões online – a pessoa terá a oportunidade de, comprometida com a política de honestidade acadêmica da instituição, realizar um exame final (provavelmente 30 de abril) para ter direito a um certificado emitido por Harvard.