Arquivo da tag: Comitê Gestor da Internet no Brasil

Declaração da “Coalizão Direitos na Rede”

O lançamento da Coalizão Direitos na Rede, ocorrido essa semana em Porto Alegre, veio acompanhado de uma carta-aberta, que expressa os propósitos dessa articulação de organizações como a Coding Rights, o Coletivo Intervozes, o IDEC, a PROTESTE, a Artigo 19 e o CTS/FGV, além  do Instituto Beta:

Continue lendo Declaração da “Coalizão Direitos na Rede”

Revista .br: CGI lança sétimo número da publicação

Capa da 7ª edição da revista .br

Em 24 de outubro deste ano, foi lançado o mais recente volume da revista .br, publicação do O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI).

Responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil e além de administrar a distribuição de nomes de domínio e números de IP, o CGI é um órgão colegiado com participação da sociedade civil que tem como objetivo a promoção de uma Internet aberta, inclusiva, segura e democrática no país.

O comitê atua ainda na produção e publicação de pesquisas relacionadas ao desenvolvimento e distribuição da tecnologia de comunicação em rede no Brasil. Recentemente, disponibilizou em seu site uma pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação no Brasil, conhecida como TIC Domicílios e Empresas de 2013. Ainda, deu início à Escola de Governança da Internet no Brasil, um curso de curta duração destinado a capacitar atores dos mais diversos setores da sociedade sobre o tema que está em ascensão no país.

Essas são apenas algumas das iniciativas do CGI para estimular a aproximação do público com temas referentes às políticas da Internet. Desde 2009 A .br é um dos carros de frente desta iniciativa do Comitê. Todas suas edições são disponibilizadas online, somando até a presente data 7 edições.

O último volume apresenta um panorama sobre o NetMundial, explicando os pontos altos do evento, as questões polêmicas que foram debatidas e aquelas que foram deixadas para depois (como a discussão sobre a neutralidade da rede). A revista também disserta sobre a internet das coisas, tecnologia que potencializa as possibilidades de conexão entre pessoas e máquinas, bem como entre máquinas e máquinas, e que também gera efeitos no próprio conceito de cidades inteligentes, justamente por ser capaz de revolucionar os campos da saúde, transporte e energia.

Fonte: Guia IngresseAinda, esta edição da .br traz indicações de leitura e uma agenda com eventos relacionados à Internet. Vale a pena destacar que no mês de novembro acontecem nos dias 9 e 14 o IETF 91; dias 24 a 28, a IV Semana de Infraestrutura da Internet no Brasil; e nos dias 26 e 27 o V Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais.

Para finalizar, a revista traz uma matéria sobre o direito de esquecimento no Brasil, expondo as críticas deste conceito em face da liberdade de expressão. Esta discussão encontra um lugar de destaque, tendo em vista a época eleitoral pela qual o país acabou de passar, na qual pedidos de remoção de conteúdo que teoricamente prejudicavam a imagem de políticos pipocaram no judiciário brasileiro.

A revista .br, viabilizada e elaborada pelo CGI, é uma ótima alternativa para quem quer acompanhar, de maneira fácil e acessível, o que anda acontecendo na Internet do país e do mundo. Porém, vale ressaltar que as edições ainda não encontram uma periodicidade definida, o que impede que a revista traga de fato detalhes de um panorama completo sobre a rede mundial. Iniciativas com a do Instituto BETA Para Internet e Democracia (Ibidem) e do Projeto Oficina Antivigilância (através de seus boletins), se propõem a divulgar essas atualizações com uma periodicidade maior, de maneira que hoje o usuário interessado não tem mais desculpas para ficar de fora daquilo que acontece nas políticas que permeiam a Internet.

TIC Domicílios e Empresas: publicação traz números sobre realidade no Brasil

Na última terça-feira (7), em São Paulo, foi lançada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) a publicação TIC Domicílios e Empresas 2013: Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação no Brasil. O documento apresenta os resultados do estudo realizado pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) especializado em produzir indicadores sobre o acesso e uso das tecnologias de informação e comunicação no Brasil.

Publicação

Pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação no Brasil - TIC Domicílios e Empresas 2013 [.pdf]
Pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação no Brasil – TIC Domicílios e Empresas 2013 [.pdf]

Em suas mais de 600 páginas, a obra (publicada sob a licença creative commonsAtribuição Não Comercial 4.0 Internacional“) é aberta com 9 artigos de especialistas de áreas como governo eletrônico, dados abertos, inovação e mercado de jogos eletrônicos, entre outros. Em seguida, traz os indicadores atualizados sobre o uso das TIC no Brasil, tanto em domicílios quanto em empresas, com tabelas e análises de dados, além do relatório de metodologia.

A pesquisa é efetuada anualmente desde 2005, oferecendo uma série histórica comparativa do desenvolvimento do uso das TIC no país. O objetivo é “contribuir para que se possa desenvolver políticas públicas efetivas e eficazes, além de gerar informações que possam ser utilizadas tanto para o desenvolvimento da Internet no Brasil, quanto para o suporte a pesquisas acadêmicas que contribuam para a construção de conhecimento sobre o tema” (p. 27).

Responsável pelo discurso de abertura do evento de lançamento, o diretor-presidente do NIC.br, Demi Getschko, afirma no prefácio da publicação:

Os crescentes efeitos de fenômenos como as redes sociais na Internet e da tendência irreversível à mobilidade no acesso à Internet são incontestáveis. O avanço no uso de dispositivos como notebooks, tablets e celulares, que passam a fazer parte da vida cotidiana de uma parcela considerável da população e da grande maioria das empresas brasileiras, mostra o fato.

Estiveram presentes ao lançamento 170 pesquisadores, representantes de governo, especialistas e estudantes. Em seu discurso de Alexandre Barbosa, gerente do CETIC.br, destacou alguns dos indicadores, que já haviam sido divulgados em maio e junho deste ano:

  • as desigualdades regionais e sociais permanecem em relação ao acesso e uso da Internet no Brasil;
  • 85% da população brasileira (143 milhões de pessoas) utiliza telefones celulares;
  • o uso das TIC pelas empresas está universalizado, a despeito da região geográfica, do porte ou do segmento econômico;
  • 96% das companhias possuem acesso à Internet;

Debate

Para encerrar o lançamento, o debate “Sociedades conectadas: implicações para indivíduos e empresas” foi mediado pela jornalista Cristina De Luca, com a participação de Francisco Saboya, do Porto Digital, Silvio Meira, do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Graciela Selaimen, da Ford Foundation e Ronaldo Lemos, do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS):

Olhando os números das pesquisas do CETIC.br fica claro que o nosso desafio ainda é o acesso ao computador e à infraestrutura. Isso deveria ter sido resolvido há muito tempo. É extremamente preocupante, em 2014, metade dos domicílios brasileiros não possuírem computador, enquanto o mundo vive uma era em que se busca informação através da Internet” – Francisco Saboya

Eu costumo dizer que estamos na quinta revolução digital. Tivemos cinco marcos nas últimas décadas: hardware, software, rede, móvel e Internet das Coisas. Vivenciamos uma transformação digital de grande porte, que está abrindo novas perspectivas de empreender” – Silvio Meira

A existência das tecnologias sem a compreensão da intencionalidade que está embutida nos seus códigos, os nossos acessos a bens e serviços serão cada vez mais determinados pelo uso. Por sua vez, o uso não informado pode levar a um cenário de mais exclusão e seleção social” – Graciela Selaimen

“Números sobre conectividade no Brasil são raros e por isso é difícil tomar decisões governamentais e promover políticas públicas. Graças aos números do CETIC.br foi possível gerar um ativismo para a formalização das lanhouses, permitindo que elas tivessem uma vida” – Ronaldo Lemos