Beta: chamada | Ep. 01 | Julian Assange

Primeiro episódio do “Beta: chamada”, falando sobre a situação de Julian Assange a partir do posicionamento do Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias da ONU, com as repercussões e possíveis significados.

Links:

Comunicado de imprensa da ONU: “Julian Assange arbitrarily detained by Sweden and the UK, UN expert panel finds

Banda Larga e desenvolvimento: estudo mede impactos sociais e econômicos na América Latina

O grupo de pesquisa latino americano Diálogo Regional sobre a Sociedade da Informação – DIRSI publicou neste mês de setembro o estudo “Internet e Pobreza: abrindo a caixa preta” (The internet and poverty: opening the black box). A obra investiga os impactos sociais e econômicos do acesso à Internet em conexões de banda larga.

Estudo "The Internet and Poverty: Opening the Black Box", do DIRSI
Estudo “The Internet and Poverty: Opening the Black Box”, do DIRSI

A conclusão geral do estudo, realizado no Brasil, Chile, Colômbia, EquadorMéxico e Peru, aponta efeitos muito mais suaves do que se esperava: em alguns aspectos, os números apontam impactos até cinco vezes menores do que as sugeriam as previsões mais otimistas. Ao final, afirma-se com propriedade que

“(…) se a tecnologia por si só não irá produzir resultados significativos, ainda há muito a ser conhecido sobre que tipos de programas de capacitação trabalhar e por quê.

Caso contrário, os legisladores e os profissionais vão continuar a navegar no escuro na concepção e implementação de iniciativas de conectividade de banda larga.”

A oferta de banda larga foi observada em aspectos distintos para o desenvolvimento social e econômico em cada lugar:

  • Equador: aumento de até 7,5% na renda de trabalhadores;
  • Colômbia: 10% do aumento do uso da banda larga se associou a um crescimento de 4% no número de empresas, mas a arrecadação fiscal subiu só 0,4%.
  • México: em efeito “cascata”, crianças em idade escolar incentivam o contato com a banda larga entre as pessoas com quem moram;
  • Brasil, Chile e Peru: diminuição na evasão escolar, mas sem melhores notas (as alterações notadas foram para pior), conjunta com a falta de treinamento adequado para professores, que por sua vez facilita uso da web para fins não educacionais, sendo que estudantes de baixa renda tendem a aproveitar mais o contato com a banda larga em programas escolares.

Especificamente sobre a realidade brasileira, em que o Estado investiu 3.2 bilhões de dólares em banda larga e tecnologias afins, destacam-se ainda as seguintes conclusões:

  • Impactos de primeira ordem: além de aumentar a possibilidade de acesso à banda larga para alunos e professores de escolas públicas urbanas, incentivou o uso de novas formas e técnicas de ensino, tais como a discussão de notícias recentíssimas nas salas de aula e abordagens lúdicas no ensino de gramática e matemática no 5º ano;
  • Impactos de segunda ordem: no 5º ano, pequena vantagem de 12% e 15% no desempenho na Prova Brasil em comparação com alunos não conectados, embora possa-se atribui o impacto mais às novas formas de ensino que ao mero acesso à banda larga;
  • Impactos não mensuráveis: se mostraram mais suscetíveis os alunos conectados do 9º (taxa de evasão reduzida em 8% e a de reprovação, 5%) e do 5º ano (diminuiu problemas disciplinares durante as aulas, criando ambiente mais saudável e propício ao ensino e aprendizagem).

Documento sobre Direitos Humanos e Internet na América Latina prepara a discussão do tema no IGF

Nesta semana, entre os dias 2 e 5 de setembro, ocorrerá o 9º Encontro Anual do Internet Governance Forum (IGF). Este ano o evento será realizado em Istanbul, na Turquia, e terá como tema central “Conectando Continentes para uma Aprimorada Governança Multissetorial da Internet”. Especialmente para o encontro foi divulgado o documento América Latina em um Relance: Direitos Humanos e a Internet (tradução livre de Latin America in a Glimpse: Human Rights and the Internet), produzido pela ONG Derechos Digitales, do Chile, em colaboração com a Associação para o Progresso das Comunicações (APC) e com a consultora Joana Varon Ferraz.

Logo de início, o texto esclarece seu objetivo:

Este documento apresenta um resumo de alguns aspectos em discussão na América Latina relativos aos direitos humanos e à Internet. Esta iniciativa foi especialmente feita para ampliar a compreensão da região na comunidade internacional reunida no Fórum da Governança da Internet 2014.

O documento se divide nas seguintes seções temáticas:

  • América Latina: há uma breve explicação contextual sobre a região, incluindo a situação de desenvolvimento da Internet e dos direitos humanos.

    Capa do documento "América Latina de relance: Direito Humanos e a Internet", mostrando, sobre um fundo bege e sob o título da obra, um globo cinza, centrado na América Latina e com o sul orientado para cima, além de um balão no canto superior direito e um cavalo no canto inferior direito, ambos litografados.
    América Latina de relance: Direito Humanos e a Internet
  • Neutralidade de rede: ameaças e oportunidades relativas ao tema. Merece destaque a referência honrosa ao Marco Civil da Internet brasileiro.
  • Cibersegurança: além das ameaças e oportunidades, menciona uma legislação polêmica sobre cibercrimes aprovada no Peru em 2013.
  • Liberdade de expressão: expressa a ambiguidade da situação latinoamericana atual, expondo a crises no México, na Colômbia, na Venezuela, no Equador e no Brasil. Há esperança a partir de manifestações do Relator Especial da Comissão Interamericana de Direitos Humanos para Liberdade de Expressão, que destacam o papel da Internet no tema.
  • Direito à não discriminação: além dos temas de discriminação racial, de gênero, de nacionalidade e de orientação sexual, o documento menciona pesquisa argentina sobre como criminosos do ramo do tráfico de pessoas recorrem à Internet para localizar vítimas potenciais.
  • Direito à privacidade e vigilância digital: nesse ponto, entram questões relativas às revelações de Edward Snowden e, também, a necessidade de implementar legislações de proteção de dados em diversos países latinoamericanos. Destaca-se, também, a importância da conscientização popular sobre o tema.
  • Debate sobre governança da Internet na América Latina: além de oportunidades e ameaças, há um breve histórico e exposições sobre subtemas que permeiam o debate e elementos chave.

 Espera-se que a inclusão da América Latina nos debates sobre governança da Internet, com a participação de ONGs como a Derechos Digitales, desloque as discussões para além das instituições públicas e privadas dos EUA e Europa. Expor as necessidades e soluções propostas pelos países latinoamericanas é um passo importante na construção de um sistema global de governança que inclua os países do sul.

Pesquisadores descobrem ferramentas utilizadas para espionar telefones

Conforme noticiamos aqui, Edward Snowden já havia alertado para a possibilidade de telefones celulares serem utilizados para espionagem mesmo que o dispositivo esteja desligado. Embora o ex-agente da NSA não tenha dito como isso poderia ser realizado, uma matéria do site Tech Crunch traz algumas explicações para uma possível forma de exercer esse tipo de vigilância.

A reportagem toma por base dois diferentes documentos bastante detalhados oferecidos por pesquisadores do Citizen Lab e da Kaspersky. Segundo o texto, é utilizado o aplicativo RCS/Galileo (RCS é sigla em inglês para o sugestivo nome Sistema de Controle Remoto), desenvolvido pela empresa italiana The Hacking Team. O programa permite o controle remoto total de dados em um telefone e faculta aos seus usuários ativar o microfone em dispositivos que usam sistemas Android, iOS ou Blackberry. Continue lendo “Pesquisadores descobrem ferramentas utilizadas para espionar telefones”