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Vamos falar sobre privacidade?

A privacidade é um ponto cego na nossa opinião pública. Frequentemente surgem oportunidades em que o Brasil poderia discutir seriamente a necessidade de proteger esse direito. Mas sempre que o tema se aproxima, algum outro aspecto toma o centro das atenções, e o problema da privacidade continua invisível.

No início do mês de maio, a Presidenta Dilma Rousseff anunciou o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei nº 1.775/2015, para criar o Registro Civil Nacional (RCN), um novo instrumento de identificação emitido pela Justiça Eleitoral e que será usado por todas as pessoas, desde seu nascimento até a morte, e que vai ainda centralizar ainda todas as mudanças de estado e capacidade civil. A justificativa da proposta se baseia na defesa desburocratização e da praticidade, falando ainda de benefícios coletivos e individuais para a segurança, saúde, educação e até previdência. Curiosamente, as críticas mais ruidosas ao projeito têm vindo de grupos religiosos fundamentalistas, que literalmente demonizam a ideia de um chip de identificação: Continue lendo Vamos falar sobre privacidade?

NSA: Vigilância em massa é ilegal

la-fi-tn-nsa-posing-facebook-malware-20140312-001Na quinta-feira (7), uma corte federal em Nova York, EUA, decidiu que o programa de coleta de dados telefônicos mantido pela NSA é ilegal e que a interpretação legal que lhe dá ensejo é abusiva.

Em um processo movido pela União Americana de Liberdades Civis – ACLU, na sigla em inglês – contra a Agência Nacional de Segurança (NSA), três juízes decidiram que as atividades de vigilância, da maneira como vêm sido conduzidas pela agência ultrapassam os limites legais impostos ao governo. O programa, exposto pelas denúncias do ex-agente da CIA, Edward Snowden, compreende a coleta massiva de dados telefônicos de cidadãos americanos. Informações como números contactados, horários e duração de chamadas têm sido captadas e mantidas pela NSA independente de quaisquer suspeitas fundamentadas sobre os alvos da coleta. Continue lendo NSA: Vigilância em massa é ilegal

Regin: revelado megaspyware usado contra governos e empresas

As empresas de segurança da informação Symantec, criadora do antivírus Norton, e Kaspersky dizem terem identificado um spyware altamente sofisticado e sem precedentes. O grau de complexidade do código, chamado de Regin, sugere que ele tenha sido criado com recursos de algum governo. Ele tem sido utilizado pelo menos desde 2008 para coletar secretamente informações de governos, entidades privadas e indivíduos em diversos países, incluindo no Brasil.

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Gráfico produzido pela Symantec. Estágios do ataque do Regin.

Segundo comunicado da Symantec, o programa malicioso atua como uma sequência de códigos que se executam em estágios encadeados entre si — cada um oculto e encriptado, exceto pelo primeiro. Ao serem acionados, os últimos estágios descarregam os códigos que abrem backdoors no sistema para capturar dados de digitação do teclado, senhas, informações de dispositivos USB que se conectem ao aparelho infectado e até para instalar um módulo de extração de e-mails — nem mesmo arquivos apagados conseguiriam fugir. A habilidade mais significativa do Regin, no entanto, é a capacidade de se infiltrar em bases GSM de redes de celular. Uma vez no controle dessas bases, o programa rouba credenciais de administradores do sistema, o que permite manipular a rede e instalar ferramentas para monitorar comunicações por celular — o que, segundo a Kaspersky, foi realizado em 2008 em algum país do Oriente Médio. Com o controle dessas redes, os atacantes podem até mesmo desligar completamente o serviço de telefonia móvel celular.

Os alvos do programa incluem pequenas empresas, redes de telecomunicações, empresas de energia, operadoras de linhas aéreas, instituições governamentais, indivíduos e institutos de pesquisas. Quanto aos dois últimos, os alvos são principalmente pessoas e instituições envolvidas em pesquisas sobre matemática avançada e criptografia. As invasões nos sistemas da Comissão Europeia e da empresa belga de telecomunicações Belgacom, ocorridas em 2011 e 2013, respectivamente, também estão confirmadas como ataques do Regin. Os dois casos estão entre os primeiros a levantarem a suspeita de um hipótético super spyware de vigilância. Contudo, a primeira versão do programa data de pelo menos 2008, talvez até antes.

Segundo a cobertura da rede de notícias do Qatar Al-Jazeera, o governo dos EUA e empresas prestadoras de serviços de inteligência apontam os governos da China e da Rússia como prováveis responsáveis. No entanto, indícios sugerem o envolvimento da agência de segurança nacional dos EUA, a NSA, e de sua contraparte britânica, o GCHQ. Dentre as informações vazadas pelo ex-agente da CIA, Edward Snowden, está a denúncia de que a NSA seria a responsável pela invasão no sistema da Comissão Européia. O GCHQ estaria também por trás da invasão do computador do famoso criptógrafo belga Jean-Jacques Quisquater, que também foi alvo do Regin, segundo a Kaspersky.

O pronunciamento da Symantec sugere que a maioria dos alvos do Regin estão concentrados na Rússia e na Arábia Saudita. A Kaspersky afirma ter encontrado o malware também em sistemas na Alemanha, Argélia, Índia, Afeganistão, Irã, Bélgica, Síria, Paquistão e Brasil.

Fontes

Retrospectiva da semana – 15/11 a 21/11

O que saiu por aqui:

Em Brasília, na próxima terça-feira (25), nós do Instituto Beta para Internet e Democracia – IBIDEM realizaremos a Wikitona Gênero e Cidadania: uma maratona de edição e criação de verbetes na Wikipédia, relacionados às questões de gênero e de exercício da cidadania.

Na segunda-feira (17), o grupo conhecido como Reforma da Vigilância Governamental, do qual fazem parte empresas como Facebook, Apple, Google e Twitter, lançou uma carta aberta ao Senado estadunidense pedido que os congressistas apreciem e votem à favor de um projeto de lei que promove reformas nas agências de segurança e inteligência do país.

O que ler por aí:

A ferramenta gratuita e de código aberto chamada Detekt promete alertar ativistas de direitos humanos caso seus computadores estejam sendo monitorados por spywares usados por agências governamentais. O Detekt foi desenvolvido por meio de uma parceria entre a Anistia Internacional, a British charity Privacy International, o grupo alemão de ativistas Digitale Gesellschaft e a Electronic Frontier Foundation. O programa faz parte dos esforços da Anistia em chamar atenção da opinião pública para o comércio de software e hardware de vigilância.

Em entrevista concedia ao portal Convergência Digital o CIO da empresa, Raimondo Zizza, falou sobre os planos da TIM para a utilização das tecnologias de análise de Big Data nos próximos anos. Segundo Zizza, a empresa tem planos para aproveitar o tráfego de dados em sua rede para melhorar ofertas e serviços. Com esse intento, vem investindo em tecnologia e infraestrutura. Para formar novos analistas no Brasil, a empresa trouxe dos Estados Unidos uma equipe de profissionais especializados no campo. Quanto à questões de privacidade, Zizza declarou que os clientes da empresa não serão identificados individualmente e os dados serão tratados apenas em conjunto para construir padrões de comportamento coletivo.

Após os perfis sociais do grupo extremista ISIS terem divulgado uma mensagem de seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, um grupo de hackers autointitulado Ciber-exército Egípcio substituiu a gravação por imagens e músicas com referências às forças armadas egípcias. O coletivo de hackers é mais um dos que se levantam em uma ofensiva contra o grupo extremista islâmico. Segundo especialistas, o Ciber-exército Egípcio é formado tanto por civis quanto por militares e policiais simpáticos ao governo de Abdel Fattah el-Sisi, ex-comandante do exército e atual presidente. Os hackers assumem o apoio ao governo enfrentando inimigos internos e externos de el-Sisi.

O Ministério da Justiça irá reforçar com ações da Polícia Federal o grupo de trabalho interministerial criado nesta quinta-feira (20), para monitorar e mapear crimes contra os direitos humanos nas mídias sociais. A tarefa é receber e analisar denúncias sobre páginas da internet que promovem o ódio e fazem apologia à violência e à discriminação. Liderado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o grupo será composto pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Secretaria de Políticas para Mulheres, do Ministério Público Federal, da Ordem dos Advogados do Brasil e do Colégio Nacional dos Defensores Públicos Gerais. O governo também anunciou uma parceria com o Laboratório de Estudos em Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo para o desenvolvimento de um aplicativo de acompanhamento das redes de apologia ao crime, bem com das redes de defesa dos direitos humanos.

Em participação na edição do dia 21 do Repórter Brasil, Paulo Rená, um dos diretores do IBIDEM, comentou as possíveis consequências da difusão de boatos online:

Retrospectiva da semana – 08/11 a 14/11

O que saiu por aqui:

Pelos canais oficiais da Casa Branca nas mídias sociais, o presidente dos EUA Barack Obama fez um pronunciamento no início do dia de hoje (10) pedindo à Comissão Federal de Comunicações (FCC), que atenda aos quase 4 milhões de comentários que recebeu, e implemente o conjunto mais forte possível de normas para garantir a neutralidade de rede no país.

Nesta quarta-feira (12), o Congresso Nacional deliberou sobre dois temas muito caros aos usuários da Internet e à cultura digital. Enquanto o Senado Federal debateu um projeto de lei sobre dados pessoais, a Câmara dos Deputados abordou uma tentativa de instituir o notice and take down para o direito autoral.

O Centro de Pesquisas Pew publicou nesta quarta-feira (12) os resultados de uma pesquisa de opinião sobre a “percepção pública da privacidade e da segurança na era pós Snowden“. Esse trabalho faz parte do Projeto Internet e Vida Americana.

O que ler por aí:

Os maiores provedores de internet do Reino Unido concordaram em filtrar conteúdos terroristas ou extremista a pedido do governo britânico. Os usuários terão ainda a possibilidade de reportar diretamente à polícia sites que divulguem esse tipo de conteúdo. Google, Facebook e Twitter também já sinalizaram a disposição de cooperar com a política britânica de impedir que seus cidadão acessem mensagem favoráveis a grupos considerados terroristas.

Nesta terça-feira (11), A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal reconheceu a legitimidade da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para formular pedido de prisão cautelar para fins de extradição de um norte-americano que responde, na Justiça Federal dos Estados Unidos, pelo delito de acesso não autorizado a um computador protegido.

EUA: pesquisa revela sensação de privacidade e segurança na rede pós Snowden

"Public Perceptions of Privacy and Security in the Post-Snowden Era"
Relatório completo [.pdf]

O Centro de Pesquisas Pew publicou nesta quarta-feira (12) os resultados de uma pesquisa de opinião sobre a “percepção pública da privacidade e da segurança na era pós Snowden“. Esse trabalho faz parte do Projeto Internet e Vida Americana:

Este relatório é o primeiro de uma série de estudos que analisa as percepções e comportamentos dos estadunidenses sobre privacidade posteriores às revelações sobre os programas de vigilância do governo dos EUA pelo trabalhador terceirizado do governo Edward Snowden, que começaram em junho de 2013. Para examinar esse tema em profundidade e durante um período prolongado de tempo, o Projeto Internet do Centro de Pesquisas Pew encomendou um painel online representativo de 607 adultos que são membros do Painel de Conhecimento GfK. Estes painelistas concordaram em responder a quatro questionários ao longo de um ano. As conclusões deste relatório são baseadas no primeiro levantamento, que foi conduzido em Inglês e encampado na rede de 11 a 28 janeiro de 2014. Além disso, um total de 26 palestrantes também participou de um dos três grupos de discussão online como parte deste estudo durante agosto de 2013 e março de 2014.

A divulgação do relatório destaca as seguintes conclusões:

  • A maioria está ciente dos esforços do governo para monitorar as comunicações
  • Há uma preocupação generalizada sobre a vigilância pelo governo e empresas
  • Há pouca confiança na segurança dos canais de comunicação comuns, e aqueles que já ouviram falar sobre os programas de vigilância do governo são os menos confiantes
  • A maioria diz que quer fazer mais para proteger a sua privacidade, mas muitos acreditam que o anonimato na rede é impossível
  • Nem todo mundo acompanha a própria reputação online com atenção, mesmo que muitos assumam que terceiros vão verificar suas pegadas digitais
  • Contexto importa no momento de decider sobre divulgar informações ou não
  • Diferentes tipos de informação provocam diferentes níveis de sensibilidade entre os americanos

Alguns números são particularmente impressionantes:

  • 91% dos adultos na pesquisa concorda” ou “concorda totalmente” que os consumidores perderam o controle sobre como as informações pessoais são coletadas e utilizadas pelas empresas.
  • 88% dos adultos “concorda” ou “concorda totalmente” que seria muito difícil remover informações imprecisas sobre eles online.
  • 81% sentem-se não muito” ou “nada seguro” usando sites de mídia social quando querem compartilhar informações privadas com outra pessoa de confiança ou organização.
  • 80% das pessoas que usam sites de redes sociais dizem que estão preocupados com terceiros, como anunciantes ou empresas que acessam os dados que eles compartilham nesses sites.
  • 80% dos adultos concorda” ou “concorda totalmente” que os americanos deveriam estar preocupados com o monitoramento do governo de telefonemas e comunicações na Internet. Apenas 18% “discordam” ou “discordam totalmente” com essa noção.
  • 70% dos usuários do site de redes sociais dizem que eles estão pelo menos um pouco preocupados com o governo acessar algumas das informações que eles compartilham em sites de redes sociais sem o seu conhecimento.
  • 68% se sentem inseguros com bate-papo ou mensagens instantâneas para compartilhar informações privadas.
  • 64% acreditam que o governo deveria fazer mais para regular os anunciantes, em comparação com 34% que pensam que o governo não deveria se envolver mais.
  • 61% dos adultos “discordam” ou “discordam totalmente” com a afirmação: “Eu aprecio que os serviços on-line são mais eficientes por causa do aumento do acesso que têm aos meus dados pessoais.
  • 55% concordam” ou “concordam fortementecom a afirmação: Estou disposto a compartilhar algumas informações sobre mim com as empresas, a fim de utilizar serviços on-line gratuitamente“.
  • 36% concordam” ou “concordam fortementecom a afirmação: “É uma coisa boa para a sociedade se as pessoas acreditam que alguém está mantendo um olho sobre as coisas que eles fazem online.
  • 16% dizem que já pediram a alguém para remover ou corrigir informações sobre eles que foi postada online.
  • 11% dos adultos dizem que tiveram alguma experiência ruim porque informações embaraçosas ou inexatas foram publicadas sobre eles online.

Além disso, o Centro de Pesquisas Pew gerou uma ferramenta interativa de visualização de dados, denominada “O que os estadunidenses pensa sobre privacidade“. Ao escolher um dos nove perfis disponíveis, você pode ver a variedade de perspectivas expressas nas respostas sobre privacidade. As pessoas entrevistadas são reais, mas estão identificadas por um pseudônimo.

Clique para acessar o conteúdo interativo "What Americans Think About Privacy", do Pew Research Center's Internet & American Life Project
Clique para acessar o conteúdo interativo “What Americans Think About Privacy“, do Pew Research Center’s Internet & American Life Project

Retrospectiva da semana – 06/09 a 12/09

O que saiu por aqui:

Segunda-feira (8/9) – Foi lançada a campanha internacional “Big Telecom vs. The World“, que pretende levantar um chamado global para pressionar a decisão da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) sobre os limites da neutralidade de rede nos EUA. A mobilização eclode uma semana antes do fim do segundo período da consulta pública sobre como “Proteger e promover a Internet Aberta“.

Terça-feira (9/9) – No último dia 26, Aécio Neves entrou com ação judicial para que a rede social Twitter divulgue os dados de 66 perfis de usuários que o candidato à Presidência da República pelo PSDB acusa de serem pagos para espalhar “conteúdo ilícito” a seu respeito, com a suposta finalidade de afetar sua imagem e sua campanha eleitoral.

Quinta-feira (11/9) – Um relatório publicado na quarta-feira (10) pela Rede Global de Aplicação da Privacidade (GPEN) apontou que a maioria esmagadora dos aplicativos para celular e tablets são falhos em relação à proteção da privacidade de seus usuários. De 1211 apps avaliados, 85% não revelam quais os dados coletados ou como são utilizados, e 59% não explicam nem mesmo informações básicas sobre a política de privacidade. Além disso, 43% não são adaptados para uma tela pequena e 33% solicita permissões aparentemente excessivas.

Quinta-feira (11/9) – Rede de organizações promove uma grande mobilização virtual chamada Desaceleração da Internet (“Internet Slowdown”), na tentativa de chamar a atenção das autoridades dos Estados Unidos e dos usuários da Internet em todo o mundo para a importância da neutralidade de rede. Trata-se de uma reação à proposta da Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) de criar “vias expressas” na Internet, por meio de acordos entre provedores de conexão e páginas virtuais.

Sexta-feira (12/9) – Yahoo! anuncia em seu blog que serão divulgadas mais de 1.500 páginas de documentos relativos ansa-google-yahooo processo travado entre 2007 e 2008 contra a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA). Trata-se da ação pela qual a Yahoo! tentou se recusar judicialmente a cooperar com o programa de vigilância eletrônica PRISM.

O que ler por aí:

Na terça-feira (9/9), o Tribunal de Justiça do Espírito Santo julgou favoravelmente o recurso interposto pela Google Brasil Internet Ltda. contra a decisão de um juiz de 1ª instância que determinou a retirada do aplicativo Secret das lojas virtuais e obrigava as companhias de tecnologia a removerem o aplicativo dos celulares de quem já houvesse feito o download. O desembargador convocado Jorge Henrique Valle dos Santos afirmou que não há anonimato ilegal na utilização do aplicativo, pois os usuários ainda podem ser identificados por seu IP. O magistrado considerou ainda que a remoção do aplicativo de aparelhos de usuários seria uma violação da proibição ao acesso não-autorizado a sistemas informáticos. A decisão do TJES tem efeito suspensivo, o que significa que os efeitos da decisão da 1ª instância ficam suspensos até o fim do processo.

Também na terça-feira (9/9), um grupo de organizações de direitos civis europeias e internacionais publicou uma carta aberta ao conselho consultivo do Google na qual pede que a empresa não tarde em implementar mecanismos para garantir os direitos de privacidade dos cidadãos europeus, beneficiados pela decisão da corte europeia que estabeleceu o chamado direito a ser esquecido. Na carta, as organizações ainda buscam esclarecer o escopo da decisão, frequentemente apresentada de maneira equivocada na mídia.

Na quinta-feira (11/9) a  Casa Civil da Presidência anunciou ter identificado o funcionário público acusado de editar os verbetes da wikipédia relativos aos jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg a partir de computadores ligados à rede da presidência. O servidor, que ocupava um cargo comissionado, foi exonerado no dia 12/9 e sofrerá um processo administrativo (PAD) que pode resultar em sua demissão. Veículos de imprensa continuam chamando os verbetes na enciclopédia virtual de “perfis”.

EUA: Yahoo! divulga detalhes da batalha judicial contra a NSA

Ontem (11/9) a Yahoo! anunciou em seu blog que serão divulgadas mais de 1.500 páginas de documentos relativos ao processo travado entre 2007 e 2008 contra a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA). Trata-se da ação pela qual a Yahoo! tentou se recusar judicialmente a cooperar com o programa de vigilância eletrônica PRISM.

“Consideramos (a divulgação dos autos) uma importante vitória para a transparência e esperamos que esses documentos ajudem a promover uma discussão informada sobre a relação entre privacidade, devido processo e coleta de dados.” – Ron Bell, Membro do Conselho Geral da Yahoo Co.

Ron Bell
Ron Bell, Membro do Conselho Geral da Yahoo Co.

Documentos da agência (divulgados por Edward Snowden ano passado) mostraram o Yahoo como uma das primeiras empresas de tecnologia a integrar o PRISM, sendo compelida a contribuir com os bancos de dados da NSA desde março de 2008. Pois em 2007 o Congresso dos EUA aprovou uma emenda à Lei Federal de Vigilância e inteligência sobre estrangeiros (FISA).

Após os primeiros contatos da agência de inteligência, o Yahoo questionou à época a constitucionalidade do pedido na Corte de Vigiância de Inteligência Estangeira, ou FISC, a qual cabe supervisionar essas ações dos EUA. O pedido da Yahoo! foi rejeitado pela FISC e a empresa foi obrigada a submeter-se aos pedidos das autoridades, sob pena de multa diária de $250.000 em caso de descumprimento da decisão.

Assim como todos os atos da FISC, as sessões de julgamento foram fechadas ao público e os autos permaneceram sob sigilo até 2013.

Segundo a Yahoo!, a divulgação dos documentos resultou de um pedido feito pela própria empresa e como a FISC não dispõe de uma plataforma pública para a consulta do processo, até o momento o texto não foi disponibilizado.

Fontes:

Retrospectiva da semana – 09/08 a 15/08

O que saiu por aqui:

Na segunda-feira (11) divulgamos decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinou o uso do Facebook antes do período oficial de campanhas eleitorais não caracteriza irregularidade, salvo em situações específicas. Em julgamento realizado no dia 6 de agosto, a Corte ressaltou a importância de proteger a ampla liberdade de expressão dos eleitores e reduzir ao mínimo a interferência da Justiça Eleitoral nos debates políticos pela Internet.

Cartaz usado por manifestantes russos em dezembro de 2011 (Fonte: CBS News video / CNET’s Jonathan Skillings)

Na terça-feira (12) noticiamos que o governo da Rússia adotou mais uma norma que amplia o controle sobre a Internet: um decreto que obriga a identificação de quem se conectar por meio de redes públicas sem fio. Agora, ao usar redes wi-fi públicas todo usuário precisará apresentar seu nome completo, confirmado por documento de identidade, e os dados serão armazenados por pelo menos 6 meses.

Na quinta feira (14) apresentamos relatórios publicados pela Apple e pelo Twitter que reafirmaram a prevalência de homens brancos nas maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos da América. E a expressiva ausência de mulheres e outras minorias é uma tendência já conhecida entre os empregados de Google, Facebook e outras grandes empresas do Vale do Silício em todo mundo.

dfvbnmNesta quarta-feira (13), entrou em vigor no México a Ley Federal de Telecomunicaciones y Radiodifusión, que trata da política de regulação do mercado de telecomunicações e radiodifusão no país. Dentre vários temas, a regulamentação da guarda de dados de usuários dos serviços de telecomunicações tem causado mobilizações contrárias por parte da sociedade civil.

O que ler por aí:

Segundo o International Business Times, o agregado de hacktivistas Anonymous está convocando seus membros para protestarem contra os crimes de guerra, abusos de poder e o autoritarismo de seus governantes. A segunda Marcha de Um Milhão de Máscaras, como o protesto é chamado, ocorrerá em 5 de novembro (Noite de Guy Fawkes) simultaneamente em várias cidades do mundo.

Acreditando que informações sigilosas sobre seus programas de vigilância haviam sido involuntariamente reveladas em depoimento prestado por um procurador do Estado, autoridades da NSA entraram em contato com o juiz Jeffrey White para pedir que trechos do documento fossem apagados. O magistrado recusou o pedido, além de informar os advogados da parte litigante, a ONG Eletronic Frontier Foundation(EFF). Em comunicado público, a EFF lamentou as ações do governo e acusou a NSA de tentar, novamente, violar comandos constitucionais.

Nesta segunda-feira (11), foi publicada a Lei 13.023/14, que prorroga até 2029 os dispositivos da Lei de Informática (8.248/91). A lei, que visa fomentar a produção tecnológica nacional, prevê diversos benefícios. Dentre eles estão a determinação de compras preferenciais de serviços e produtos tecnológicos  nacionais pelo governo e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor.

Documentos vazados essa semana revelam que agências e inteligência dos 5eyes mantêm programas destinados a explorar vulnerabilidades de computadores pessoais para usá-los como bots e esconder a origem de ciberataques. Segundo dados da revista alemã c’t Magazine, um programa do governo britânico chamado HACIENDA era capaz de escanear redes de países inteiros em busca de alvos.

 

EUA: 40% das pessoas vigiadas não têm ligação com terrorismo

Nesta terça-feira (5), o portal The Intercept divulgou um documento inédito que dá novas dimensões aos programas de espionagem mantidos pelo governo dos EUA. O documento, intitulado “Realizações estratégicas da Diretoria de Identidades Terroristas em 2013”, aponta que a Terrorist Screening Database — uma lista de indivíduos considerados suspeitos de terrorismo compartilhada pelo governo estadunidense com forças de segurança locais, prestadores de serviços na área de defesa e inteligência e governos estrangeiros — conta com cerca de 680 mil nomes, dos quais aproximadamente 280 mil (pouco mais de mais de 40% da lista) pertencem a pessoas sem filiação com qualquer organização terrorista.

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Quem está na lista de vigilância? 280 mil pessoas monitoradas não tiveram reconhecida nenhuma ligação com grupos terroristas

O documento, preparado pelo Centro Nacional de Contra-terrorismo, mostra ainda a expansão do número de pessoas incluídas na “no fly list“, uma lista de pessoas proibidas de embarcar em aviões partindo ou chegando aos Estados Unidos. Durante o mandato de Barack Obama, o número de indivíduos incluídos na lista — que é mantida pelo Centro de Triagem de Terroristas, subdivisão do FBI encarregada de investigar e identificar suspeitos e potenciais terroristas -—aumentou mais de 10 vezes, atingindo um total de 47 mil nomes.

A maioria dos nomes incluídos nas listas de suspeitos do governo provêm do sistema conhecido como TIDE (Terrorist Identities Datamart Enviroment), uma rede que serve de repositório para os dados colhidos por diversas agências de segurança. O TIDE permite a inclusão de indivíduos nos bancos de dados a partir de critérios muito mais amplos do que os padrões aplicados por outros repositórios e é compartilhado entre uma série de instituições, inclusive corpos policiais locais, como o Departamento de Polícia da cidade de Nova York.

Além do conteúdo, a notícia chama atenção por suas fontes. O documento divulgado pelo The Intercept apresenta dados de agosto de 2013, meses depois de Edward Snowden vir a público e buscar refúgio fora dos Estados unidos. O Intercept, publicação criada, entre outros, por Glenn Greenwald com o objetivo imediato de publicizar os documentos da NSA vazados por Snowden, limitou-se a dizer que o documento havia sido disponibilizado por “uma fonte na comunidade de inteligência”. Existe, portanto a possibilidade de que outro funcionário da inteligência americana esteja vazando documentos sigilosos para a mídia.

Fontes: