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Deputados e sociedade civil entram com representação contra edital que privatiza Satélite Geoestacionário

O projeto inicial, que teve investimento de mais de R$ 2 bilhões, tinha o objetivo de levar banda larga de qualidade para todo o país. Agora, Michel Temer quer vender a preço sigiloso para grandes empresas de comunicação

 

A deputada federal Margarida Salomão (PT-MG) entregará, nesta quarta-feira (19), representação no Ministério Público Federal (MPF) e no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a privatização do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Idealizado pelos Governos Lula e Dilma para massificar o acesso à banda larga e promover a inclusão digital, agora o caráter público do SGDC será abandonado e grandes operadas de telecomunicação se beneficiarão, sem exigência de qualquer meta de universalização, ou preço mínimo de venda.

O projeto teve investimento de mais de R$ 2 bilhões para levar banda larga às escolas, postos de saúde, hospitais, postos de fronteira, especialmente na região amazônica e em outras regiões de baixa densidade demográfica, promovendo um preço mais acessível por meio da mediação de pequenos provedores.

Porém, a chegada de Michel Temer à presidência da República trouxe profundas alterações no caráter público do projeto. Neste novo modelo, o edital de privatização da capacidade em banda Ka do satélite lançado pela Telebrás em março deixa inúmeras brechas e dúvidas sobre o processo e possuí irregularidades, que são questionadas pela parlamentar.

O documento diz que sairá vencedora do leilão a empresa que ofertar o maior valor para explorar a Concessão, no entanto, o preço mínimo exigido está mantido sob sigilo, explica Margarida Salomão. “Considerando que o satélite foi fruto de um grande investimento público, e que, no mínimo, o valor pago precisa retornar para nosso país, tememos que esse sigilo tire de nós essa garantia. Essa medida contraria aos princípios da transparência e moralidade, publicidade e interesse público”, afirmou a deputada.

Além disso, e talvez o mais grave de tudo, aponta a parlamentar, é o descumprimento da missão social do projeto. “O edital não exige das empresas nenhuma meta de cobertura, universalização ou preço mínimo do serviço. Não foi sequer utilizada a tradicional mescla entre áreas nobres com áreas pouco rentáveis. O citado edital exige apenas o vago “cumprir as metas do PNBL””, explica.

A total liberdade de atuação das empresas vencedoras do leilão é algo extremamente preocupante. “Isso significa que eles poderão vender no atacado, no varejo, ou mesmo se concentrarem apenas no setor corporativo, o mais rentável do setor. Assim, mais uma vez o caráter público e a missão social do investimento saem prejudicadas”, acrescenta Margarida Salomão.

Assinam a representação o líder do PT na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini, os parlamentares Lindbergh Farias (PT), Fátima Bezerra (PT), Roberto Requião, Luiza Erundina (Psol), Luciana Barbosa (PCdoB), André Figueiredo (PDT) e Alessandro Molon (Rede).

E as entidades representativas PROTESTE – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor; Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé; Associação internet sem fronteiras – BRASIL; INTERVOZES – coletivo brasil de comunicação social; FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação; IBIDEM – Instituto Beta para Internet e Democracia; COLETIVO DIGITAL; ACTANTES; e INSTITUTO NUPEF.

O Satélite

O SGDC é o único satélite de alta capacidade em banda Ka com cobertura totalmente nacional. A vida útil do equipamento será de 18 anos. O satélite terá dois centros de controle (em Brasília e no Rio de Janeiro), além de contar com cinco gateways – estações terrestres com equipamentos que fazem o tráfego de dados do satélite – instalados em Brasília, Rio de Janeiro, Florianópolis, Campo Grande e Salvador. As operações devem começar no segundo semestre de 2017. O SGDC já está no Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, de onde será lançado.

Serviço

A entrega sera realizada às 17:00h na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR) em Brasília (DF).

Contato para imprensa em Brasília (DF):Camila Griguc – (61) 9 8282-0188
Camila.griguc@agenciamoc.com

TICs no Congresso #13: 21 a 25 de Março

Terça-Feira, 22/03

Câmara dos Deputados

CPI dos Crimes Cibernéticos

A CPI dos Crimes Cibernéticos realizará uma audiência pública às 14h30 para debater a venda da medicamentos abortivos pela Internet. Foram convidados Marcos Ângelo Grimone, Promotor de Justiça e Coordenador da Área Criminal da Procuradoria da República em São Paulo, e José Augusto Versiani, Delegado da Polícia Federal.

Comissão Especial das Telecomunicações

A Comissão Especial destinada a debater o PL 6789/13, sobre a reforma da Lei Geral das Telecomunicações (LGT), pode votar nessa terça-feira, às 14h30, o parecer ainda em aberto do relator, Dep. Jorge Tadeu Mudalen (DEM/SP).

Discurso do Brasil na abertura da Reunião Plenipotenciária da UIT

Nesta terça-feira (21), o Brasil fez seu pronunciamento durante a Reunião Plenipotenciária da União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência da ONU responsável pela gestão internacional das telecomunicações e, incidentalmente, de alguns temas relacionados à Internet. O País foi representado pelo Diretor de Assuntos Internacionais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Sr. Jeferson Fued Nacif.

webcast
Jeferson Fued Nacif, da ANATEL, discursando na UIT, em 21/10/2014 (clique e veja o vídeo)

Em seu discurso, Jeferson Nacif destacou o protagonismo brasileiro em questões relativas aos direitos civis dos usuários da Internet, ressaltando inclusive a sanção do Marco Civil da Internet e as discussões relacionadas à governança da rede que ocorreram na conferência global NETmundial, em abril deste ano.

Para o representante brasileiro, esses fatos são como ecos internos da política internacional do Brasil sobre o tema, ilustrada no discurso proferido por Dilma Rousseff na Assembleia Geral da ONU em 2013. O diretor na ANATEL lembrou que, à época, a Presidenta brasileira abordou a importância de as tecnologias de informação e comunicação não serem utilizadas como instrumentos de guerra entre Estados, evitando usá-las para espionagem, sabotagem e ataques aos sistemas e a infraestrutura de outros países.

Partindo das ideias então defendidas por Dilma, Nacif deu relevância à proposta do Brasil de que sejam estabelecidos mecanismos multilaterais capazes de garantir princípios como:

  • Liberdade de expressão, privacidade dos indivíduos e respeito aos direitos humanos;
  • Governança democrática, multilateral, aberta e transparente. Estímulo à participação da sociedade, de governos e do setor privado;
  • Universalidade;
  • Diversidade cultural;
  • Neutralidade de rede, que respeite critérios técnicos e éticos, sem restrições de natureza política, religiosa ou comercial.

Destacou, ainda, a intenção do governo brasileiro de desenvolver o Plano Nacional de Banda Larga, buscando a expansão das redes e a disponibilização de dispositivos e serviços de banda larga em preços acessíveis à população. Além disso, enumerou às questões em que o Brasil converge com as metas estratégicas da UIT, tais como sustentabilidade, inclusão digital e inovação.

Fundamentos da multa aplicada à Oi por monitorar navegação de internautas

Quarta-feira da semana passada, 23 de julho, foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (23) o despacho por meio do qual o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça multou a TNL PCS S/A (Oi) em R$ 3,5 milhões, em função do serviço Navegador, disponibilizado aos consumidores do acesso a Internet em banda larga Velox.

Mediante pedido de acesso à informação, o IBIDEM obteve cópia da íntegra da nota técnica que fundamentou a decisão do Diretor do DPDC, Amaury Martins de Oliva.

Nota Técnica nº 137/2014-CGCTPA/DPDC/SENACON
Clique para acessar a íntegra da Nota Técnica nº 137/2014-CGCTPA/DPDC/SENACON (.pdf), cujas razões motivaram a aplicação da multa de R$ 3,5 milhões à Oi

Em resumo, a Oi foi multada por “violação do princípio da boa-fé e ao direito à privacidade e à intimidade, utilização de métodos comerciais desleais, bem como a proteção às informações mantidas por fornecedores em banco de dados de consumidores“. No documento de 28 páginas, elaborado pela Coordenação Geral de Consultoria Técnica e Processos Administrativos, há um relato detalhado de todo o processo administrativo, seguido de um longo exame dos efeitos do serviço Navegador sobre os direitos dos clientes da Oi.

Importante notar que, diferentemente do que foi noticiado pela imprensa (incluindo a assessoria de comunicação do próprio MJ), a punição não adotou como motivo a quebra da neutralidade de rede, embora esse argumento tenha sido apontado pelo Comitê Gestor da Internet, ouvido durante o processo administrativo. Registre-se, ainda, que o Marco Civil da Internet não foi utilizado como base para a punição, embora tenha sido mencionado na nota técnica como um reforço ao entendimento de que o internauta tem garantido o direito “à inviolabilidade de sua vida privada, compreendidos dados, comunicações e quaisquer outras informações de caráter pessoa na rede“.

 Fontes:

Norma 004/95 – Ministério das Comunicações

Abaixo, reproduzimos a Norma 004/95 do Ministério das Comunicações, aprovada pela Portaria nº 148 de 31 de maio de 1995, que regulamenta o uso de meios da rede pública de telecomunicações para o provimento e utilização de serviços de conexão à internet.

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