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ADI 5527 e bloqueio do Whatsapp: interpretação constitucional ou infraconstitucional?

por Thiago Guimarães Moraes
Graduando em Direito na Universidade de Brasília, integrante do Laboratório de Pesquisa em Direito Privado e Internet – LAPIN

No primeiro semestre deste ano, os cidadãos brasileiros presenciaram episódio polêmico em que o juízo da Vara Criminal da Comarca de Lagarto, em Sergipe, ordenou o bloqueio do serviço de mensagens instantâneas WhatsApp por descumprimento da companhia às ordens judiciais de processo criminal nº 201555000783, contendo pedido de quebra de sigilo de dados. Em suma, ordenou-se que o aplicativo desabilitasse o serviço de criptografia fim-a-fim, de forma a permitir a interceptação da comunicação de dados, ordem a qual a empresa recusou-se a cumprir. A decisão teve como fundamento a aplicação de regras previstas na Lei 12.965/2014, também conhecida como o Marco Civil da Internet – MCI e a ordem judicial só foi suspensa após ter sido impetrado mandado de segurança contra o douto juízo.

Com o intuito de evitar que casos similares voltassem a ocorrer, o Partido da República – PR, ajuizou, duas semanas após o ocorrido, a Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 5.527, solicitando, “a declaração de inconstitucionalidade dos incisos III e IV do art. 12 da Lei n. 12.965/14, bem como a interpretação conforme do art. 10, § 2º[1], a fim de que seja limitado o seu alcance aos casos de persecução criminal”. Continue lendo ADI 5527 e bloqueio do Whatsapp: interpretação constitucional ou infraconstitucional?

Hungria: milhares protestam contra tributação da Internet

Neste domingo (26), mais de 10 mil pessoas foram às ruas de Budapeste e outras cidades da Hungria para exigir que o governo desistisse do projeto de tributar a utilização da Internet. Em resposta, a administração do Primeiro Ministro Viktor Orbán recuou na proposta de cobrar a taxa de 150 florims (aproximadamente R$ 1,56) por gigabyte transferido.

Manifestantes em frente ao parlamento húngaro. Janos Marjai/EPA
Manifestantes em frente ao parlamento húngaro (Janos Marjai/EPA)

O governo afirma que a medida seria necessária para preencher os cofres públicos. A Hungria é hoje um dos países mais endividados da União Europeia.

Manifestantes afirmaram que o imposto é prejudicial para a expansão do acesso à Internet e que é mais uma de várias medidas antidemocráticas tomadas por Orbán, criticado pelo distanciamento de sua política externa em relação à União Europeia e proximidade com o governo russo de Vladimir Putin.

O mandato do atual Primeiro Ministro também é conhecido por práticas pouco ortodoxas na política fiscal. Em 2012, causou agitação no mercado o plano de enfrentamento à crise econômica, que incluía a nacionalização de fundos de pensão privados, o pagamentos de dívidas de famílias atreladas ao câmbio estrangeiro e taxação dos setores bancários e de telecomunicações, dominados por empresas estrangeiras.

Depois dos protestos, o governo anunciou uma alteração na redação do projeto de lei, mudando o valor base da taxa para 700 forint (R$ 7,29) mensais por usuários domésticos e 5.000 forints (R$ 52,06) por usuários comerciais. Segundo a nova versão, o valor deverá ser pago pelos provedores de acesso à Internet.

Os próprios manifestantes disponibilizaram transmissão ao vivo em vídeo e descrição dos acontecimentos.

Fontes:

Retrospectiva da semana – 16/08 a 22/08

O que saiu por aqui:

Na segund-feira (18), informamos que o Senador Anibal Diniz (PT-AC), em audiência pública realiza dia 14 de agosto, afirmou que a massificação da banda larga no Brasil esbarra no desinteresse das empresas de telefonia em atuar em cidades que ficam fora dos grandes centros urbanos.

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Na terça-feira (19), noticiamos que o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) apresentou o Projeto de Lei (PL) nº 7881/2014, que tem por objeto o chamado “direito ao esquecimento”.

Na quinta-feira (21), divulgamos decisão do juiz Paulo Cesar de Carvalho da 5ª Vara Cível de Vitória que determinou que Google e Apple retirem o aplicativo Secret (e a Microsoft, no caso do app Cryptic) de suas lojas de aplicativos e ainda que apaguem o programa dos aparelhos celulares em que já estiver instalado.

Na sexta-feira (22), publicamos nossa opinião sobre a proibição do app Secret no Brasil: “Se a questão é defender o direito do consumidor, o preço de evitar ofensas não pode ser desconsiderar os clientes que se divertem sem maiores aborrecimentos. A proibição imposta se sobrepõe à liberdade individual de escolher o que usar no celular, e obrigar intermediários a uma conduta análoga ao crime de “Invasão de dispositivo informático”.

O que ler por aí:

Um endereço de IP fornecido pela US House of Representatives (equivalente à nossa Câmara dos Deputados) foi proibido de editar a wikipedia pelo período de 30 dias. O bloqueio foi imposto pela enciclopédia virtual como punição pela modificação de verbetes para a inclusão de mensagens transfóbicas. O usuário do IP bloqueado chegou a se defender afirmando que os verbetes editados eram “pró-trans demais”.

O grupo austríaco responsável pela ação coletiva movida contra a subsidiária do Facebook na Irlanda por violação de privacidade anunciou nesta semana que o processo já foi recebido pela Corte Regional de Viena, que abriu um prazo de 4 semanas para contestação. A notícia vem acompanhada da informação que 60 mil pessoas já aderiram ao chamado feito pelo grupo em seu site.

Reino Unido: Câmara dos Lordes critica decisão sobre “direito ao esquecimento”

Na Inglaterra, uma subcomissão da Câmara dos Lordes publicou nesta quarta-feira, 30, um relatório sobre o chamado “direito a ser esquecido” na Internet, assegurado pelo Tribunal de Justiça da UE a um cidadão espanhol, em maio deste ano. Para os nobres britânicos, a decisão judicial foi equivocada em princípio e se mostra inaplicável na prática.

Sede da "Garante per la protezione dei dati personali", em Roma
Relatório “legislação de Proteção de Dados na UE: um ‘direito a ser esquecido’?”, da Câmara dos Lordes

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Facebook lancará recurso “Eu sou um eleitor” no Brasil

Reflexo do logo do Facebook em um olho (Foto por Dominic Lipinski/PA)
(Foto: Dominic Lipinski/PA)

Graças ao sucesso da ferramenta nas eleições da Índia, os brasileiros poderão divulgar a sua condição de eleitores no Facebook. Além do Brasil, o recurso também será disponibilizado para internautas da União Europeia, Colômbia, Coreia do Sul, Indonésia e Nova Zelândia.

Durante as votações para o parlamento, mais de quatro milhões de indianos clicaram no botão “Eu sou um eleitor”. A adesão incentivou Mark Zuckerberg a expandir o serviço para outros lugares do mundo e agora estima que um terço de seus usuários ativos – cerca de 400 milhões de pessoas – verá a mensagem  em algum momento desse ano.

A ideia não é apenas promover um compartilhamento evasivo: em 2010, um estudo publicado na revista Nature indica que essa divulgação teria encorajado a votar mais de 300 mil pessoas que de outra forma ficariam em casa. Os números, segundo o professor James H. Fowler (Universidade da Califórnia, San Diego) são de quatro votantes adicionais para cada pessoa que se declarou.

Para o Brasil, a iniciativa faz todo o sentido. Uma pesquisa recente do Datafolha indicou dois números recordes: 61% do eleitorado é contra o voto obrigatório e, se pudesse, 57% não votaria esse ano.

Fonte:

Retrospectiva da semana – 11/05 a 17/5

O que saiu por aqui:

Em carta endereçada à FCC, celebridades manifestarem seu apoio à proteção da neutralidade de rede nos Estados Unidos.

FCC aprovou nesta quinta-feira (15) uma proposta de regulação da Internet que abre a possibilidade de os provedores de serviços de conexão cobrem dos sites uma taxa para garantir que o conteúdo seja entregue aos consumidores com alta qualidade.

Acesse a íntegra do texto da proposta da FCC para regulação de relações entre ISPs e provedores de conteúdo.

O que ler por aí:

Nesta terça-feira (13), o tribunal europeu decidiu, contra o Google, que seus jurisdicionados têm direito a ser esquecidos pelas ferramentas de busca na internet, significando que os cidadãos europeus têm o direito de ver excluídos dos resultados de buscas informações “inadequadas, não pertinentes ou excessivas em relação ao objetivo pelo qual foram processadas, tendo em conta o tempo decorrido”. Veja também artigo do Mashable, em inglês.