Think Olga debate assédio na Câmara dos Deputados

A CPI dos Crimes Cibernéticos recebeu nessa terça-feira (16), a convite do deputado Rafael Motta (PROS/RN), a Think Olga, projeto feminista criado em abril de 2013 pela jornalista Juliana de Faria com o objetivo de empoderar mulheres por meio da informação.

A ONG é responsável por importantes esforços online em prol do direitos das mulheres. Dois bons exemplos são a divulgação da hashtag #primeiroassedio, estimulando mulheres a contarem casos de assédio que viveram na infância ou na adolescência, e a campanha “Chega de Fiu Fiu”, contra o assédio sexual em espaços públicos.

Conforme requerimento do dep. Motta, a audiência ocorreu para chamar a atenção à criação da hashtag baseada no episódio do ano passado em que uma participante de 12 anos do reality show MasterChef Júnior foi alvo de comentários de cunho sexual nas redes sociais.

Ao longo da audiência, representantes da ONG expuseram a origem das campanhas em combate à violência online contra as mulheres. Maíra Liguori, integrante da Think Olga, afirmou que as mulheres ainda não sabem como se defender de ataques e que os órgãos públicos tampouco estão preparados para resolver casos de assédio como aqueles relacionados à pornografia de vingança.

Por sua vez, o dep. Silas Freire (PR/PI) sugeriu que a ONG promovesse campanhas para evitar a “exposição excessiva” das mulheres, dando a entender que elas poderiam ser mais moderadas para não “abrir portas” a abusadores. Seguindo uma lógica comum entre parlamentares, de buscar solucionar problemas virtuais por meio da criminalização, o Deputado também sugeriu a criação de mais leis prevendo tipos penais para coibir práticas no ambiente virtual.

As representantes da ONG contrapuseram o argumento do deputado reafirmando a missão da Think Olga em ampliar direitos das mulheres; não em cerceá-los. Segundo elas, o trabalho de conscientização sobre o respeito à mulher passa pela educação e pela informação, ainda que haja espaço para a criminalização de condutas ilegais na Internet e para o combate ostensivo ao uso indevido da rede para difamar mulheres.

Como destaque, a Think Olga divulgou um passo a passo desenvolvido pela ONG sobre como proceder frente à violência contra mulheres. Por fim, os deputados expressaram vontade de que a CPI dos Crimes Cibernéticos seja prolongada por mais 60 dias.

O áudio e o vídeo integrais da audiência estão disponíveis no site da Câmara dos Deputados.

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